sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Nota em defesa da dignidade da Vida Humana

Diante da decisão da primeira turma do Supremo Tribunal Federal, no último dia 29 de novembro, não considerando mais o aborto cometido até os três meses de vida do feto como crime, o Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, com seus Bispos Auxiliares e Eméritos, vem lamentar tal sentença e reafirmar o valor incondicional e inviolável da vida humana, desde o momento da sua concepção até o seu termino natural, pois ela é um direito fundamental de toda a pessoa humana, razão de ser de todos os outros direitos e base da sociedade.
Recordamos aqui as corajosas palavras de São João Paulo II escritas na sua encíclica Evangelho da vida parágrafo 11:
“Nossa atenção quer concentrar-se, em particular, num outro gênero de atentados relativos a vida nascente e terminal, que apresentam características novas com respeito ao passado e suscitam, o caráter de delito e a assumir, paradoxalmente, o de direito, até ao ponto de pretender com isso um verdadeiro e próprio reconhecimento legal por parte do Estado e a sucessiva execução por meio da intervenção gratuita dos próprios agentes sanitários. Estes atentados golpeiam a vida em situações de máxima precariedade, quando está privada de toda capacidade de defesa.”
Afirmamos também com o Papa Francisco, no seu recente documento Misericórdia et Misera, número 12:
“Quero reiterar com todas as minhas forças que o aborto é um grave pecado, porque põe fim a uma vida inocente.”
Nesses momentos de aumento da violência urbana e de guerras em várias partes do mundo, a proclamação, a valorização e a defesa da dignidade da vida humana é uma exigência ética, humanitária e religiosa para cada cidadão brasileiro.
Confiamos ao Coração maternal de Nossa Senhora da Conceição Aparecida a vida de cada brasileiro desde os primeiros meses até os últimos instantes da sua existência.

Rio de Janeiro (RJ), 1º de dezembro de 2016.

Cardeal Orani João Tempesta, O.Cist.
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro

Dom Antonio Augusto Dias Duarte
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro

Dom Roque Costa Souza
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro

Dom Luiz Henrique da Silva Brito
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro

Dom Assis Lopes
Bispo Auxiliar Emérito do Rio de Janeiro

Dom Karl Josef Romer
Secretário Emérito do Pontifício Conselho para a Família

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Atentos e preparados!

Pe. Vitor Gino Finelon
Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida

O Ano Litúrgico começa com a celebração do primeiro domingo do Advento. Celebrando a memória do mistério pascal de Jesus Cristo, no arco anual, entramos em comunhão com os eventos da história salvífica, desde a esperança da vinda do Senhor até a consumação escatológica do Reino de Deus. A temática central desenvolvida na liturgia da palavra da celebração eucarística é a expectativa da Parusia e, a consequente, atenção e preparação requerida dos discípulos para receber “aquele que vem”. Assim, vivendo neste mundo o mandamento do amor, os cristãos aguardam a vitória final e a plenitude da vida.
De acordo com os evangelhos sinóticos, Jesus, no final de seu ministério, fez um grande discurso escatológico (cf. Mt 24; Mc 13; Lc 21). O texto evangélico apresentado neste domingo é uma parte desse discurso na narrativa de Mateus: Mt 24,37-44. Ele está estruturado em dois momentos: uma analogia entre o tempo do dilúvio e o dia da vinda do Filho do Homem (cf. Mt 24,37-41) e a imagem da entrada de um ladrão na casa de um homem (cf. Mt 24,42-44). O primeiro ponto trata da necessidade de levar a sério o anúncio do retorno do Senhor e o segundo, o fato do desconhecimento do dia certo da sua chegada.
O dia da vinda do Filho do homem será como foram os dias de Noé. Nesses dias, as pessoas davam mais atenção às suas necessidades físicas (comer e beber) e emocionais (casar-se) do que a sua dimensão espiritual (anúncio da purificação da humanidade através das águas do dilúvio). Eles reduziram a vida humana apenas ao nutrir-se e ao reproduzir-se, descurando da mensagem divina de conversão. Por isso, a sentença tão dura de Jesus: “E eles nada perceberam até que veio o dilúvio e arrastou a todos” (Mt 24,39). A mesma coisa, todavia, pode voltar a acontecer por ocasião da vinda escatológica do Senhor. Nas vicissitudes da vida, acaba por ocorrer uma desvirtuação das dimensões humanas na qual a vida se limita aos bens básicos e onde, ainda, se negligencia a espiritualidade.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Hora Santa pela esperança

As comunidades paroquiais, congregações religiosas, novas comunidades, associações e movimentos eclesiais estão sendo convocadas para uma Hora Santa pela esperança, a ser realizada no dia 2 de dezembro. O objetivo é rezar pela esperança de um mundo com mais paz, justiça, voltado para o bem comum e a proteção da vida.
A iniciativa foi proposta pelo arcebispo do Rio, cardeal Orani João Tempesta, depois que chegou do Vaticano, onde participou do Consistório convocado pelo Papa Francisco para a criação de novos cardeais e a celebração de encerramento do Ano da Misericórdia, com o fechamento da Porta Santa da Basílica de São Pedro. A proposta foi acolhida pelos bispos auxiliares e vigários episcopais na reunião do governo realizada no dia 22 de novembro.
O tema será “Advento, tempo de esperança”, e tem a intenção de ajudar os fiéis a refletir e viver o momento difícil com que passa o país e, particularmente, o Rio de Janeiro, que de alguma maneira atinge a todos.
“O importante é que cada comunidade faça pelo menos uma Hora Santa, mas não necessariamente apenas uma. Ela pode ser feita em vários dias, em vários locais. Precisamos ter, acima de tudo, esperança. E a nossa esperança é Cristo, aqu’Ele que vem. Essa é a grande mensagem do Advento”, explicou o coordenador de pastoral, monsenhor Joel Portella Amado.
Segundo o coordenador, por não enxergar de imediato a luz no fim do túnel, as pessoas podem acabar caindo em desespero e buscando situações mais violentas ou de desalento. É para ajudar a lidar com isso que esse momento acontecerá.
“Em meio à correria do Natal e fim de ano, a Hora Santa vem para nos lembrar de que precisamos parar, rezar e colocar nossa esperança em Jesus. O material foi feito para o dia 2, mas pode ser utilizado quantas vezes forem necessárias. Afinal, rezar nunca é demais: fortalece a esperança”, pontuou monsenhor Joel.

As preces a serem incluídas no folheto “A Missa” são as que se seguem:

1º Domingo do Advento:
Rezemos para que, em meio às angústias do tempo presente, mantenhamos nosso coração enraizado na esperança, contribuindo para a paz, o diálogo e o serviço ao bem comum.

2º Domingo do Advento:
A terceira prece, transcrita abaixo, que virá na folha litúrgica A Missa, já expressa o que se deseja destacar:
“Pelo Brasil e por todas as nações do mundo, para que, através da firme colaboração dos cristãos e de todas as pessoas de boa vontade, encontrem a paz, a justiça, a concórdia e a superação de todos os males, rezemos ao Senhor.”

Imaculada Conceição:
Pelo Brasil, para que, com a intercessão da Virgem Maria, se fortaleçam o diálogo, o serviço ao bem comum e a união de todos em prol da paz, rezemos ao Senhor.

3º Domingo do Advento:
Disse o Senhor: “Eis que envio o meu mensageiro.” Para que sejamos nós os mensageiros da esperança, da paz, do diálogo e do serviço ao bem comum, rezemos ao Senhor.

4º Domingo do Advento:
Bendito sois vós, Senhor, pelas pessoas que, mesmo diante das situações mais angustiantes, mantêm-se na esperança, colaboram pelo bem comum, fortalecem o diálogo e trabalham pela paz.

Foto: Gustavo de Oliveira

Fonte: http://arqrio.org/noticias/detalhes/5130/hora-santa-pela-esperanca

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Papa: Misericórdia é também dar bom conselho e ensinar valores

A audiência geral desta quarta-feira teve lugar na Sala Paulo VI, no Vaticano, com a presença de milhares de fiéis, inclusive grupos de Manaus (AM), Araguari (MG) e Lorena (SP).
Em sua catequese, o Papa dissertou sobre duas obras espirituais de misericórdia bastante relacionadas entre si: dar bom conselho e ensinar os ignorantes. Segundo Francisco, ambas podem ser vividas em nossa vida cotidiana, especialmente a segunda, ensinar.
“Pensemos por exemplo nas crianças que ainda são analfabetas, carentes de instrução. Esta é uma condição de grande injustiça, que lesa a própria dignidade da pessoa. Sem instrução, as pessoas se tornam fácil alvo da exploração e de várias formas de marginalização social”. 

O aplauso aos educadores da Igreja
Ao longo dos séculos, a Igreja sempre se engajou neste campo, educando aos valores humanos a cristãos, pois acredita que a instrução é realmente uma peculiar forma de evangelização. O Papa pediu aos fiéis um aplauso aos muitos sacerdotes, consagrados e consagradas, e leigos, que dedicaram a vida na educação e instrução de crianças e jovens. 
Dar bom conselho, por sua vez, é procurar ajudar a pessoa confusa, indecisa, duvidosa, a superar o tormento e a aflição que lhe provocam as suas dúvidas. Assim explicou o Papa:

Dar bom conselho é ato de amor
“Expressar misericórdia pelos inseguros equivale a aliviar a dor e o sofrimento que provêm do medo e da angústia que são consequências da dúvida. É um ato de verdadeiro amor pelo qual se ampara e apóia a pessoa na fragilidade da sua incerteza e hesitação”  
Alguém poderia dizer-me: “Padre, tenho tantas dúvidas de fé, que devo fazer?” As dúvidas em matéria de fé podem ser um sinal de que queremos conhecer melhor Deus e o mistério do seu amor por nós. Neste sentido positivo, é bom que nos interroguemos sobre a nossa fé, porque assim somos levados a aprofundá-la. Em todo o caso, as dúvidas devem ser superadas. Para isso é necessário escutar a Palavra de Deus e compreender o que nos ensina, principalmente na catequese. 

As dúvidas fazem crescer
“Não façamos da fé uma teoria abstrata, onde as dúvidas se multiplicam, mas uma vida, procurando pô-la em prática no serviço aos nossos irmãos, sobretudo aos mais necessitados. Então todas as dúvidas desaparecem, porque sentimos a presença de Deus e a verdade do Evangelho no amor que, sem mérito algum da nossa parte, habita em nós e partilhamos com os outros”. 
Na conclusão, o Pontífice constatou que estas duas obras de misericórdia não estão distantes de nossa vida e cada um de nós pode se comprometer em vive-las e colocar em prática a Palavra do Senhor ao dizer que o mistério do amor de Deus não foi revelado aos sábios e inteligentes, mas aos menores:
“O ensinamento mais profundo a que somos chamados a transmitir e a certeza mais segura para sairmos da dúvida é o amor de Deus, aquele com que fomos amados: um amor grande, gratuito e doado para sempre”. 

Foto: ANSA

Fonte: http://arqrio.org/noticias/detalhes/5134/papa-misericordia-e-tambem-dar-bom-conselho-e-ensinar-valores