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sábado, 27 de dezembro de 2014

A bênção de Natal do Papa Francisco

Queridos irmãos e irmãs, bom Natal!
Jesus, o Filho de Deus, o Salvador do mundo, nasceu para nós. Nasceu em Belém de uma virgem, dando cumprimento às profecias antigas. A virgem chama-se Maria; o seu esposo, José.
São as pessoas humildes, cheias de esperança na bondade de Deus, que acolhem Jesus e O reconhecem. Assim o Espírito Santo iluminou os pastores de Belém, que acorreram à gruta e adoraram o Menino. E mais tarde o Espírito guiou até ao templo de Jerusalém Simeão e Ana, humildes anciãos, e eles reconheceram em Jesus o Messias. «Meus olhos viram a salvação – exclama Simeão – que ofereceste a todos os povos» (Lc 2, 30-31).
Sim, irmãos, Jesus é a salvação para cada pessoa e para cada povo!
A Ele, Salvador do mundo, peço hoje que olhe para os nossos irmãos e irmãs do Iraque e da Síria que há tanto tempo sofrem os efeitos do conflito em curso e, juntamente com os membros de outros grupos étnicos e religiosos, padecem uma perseguição brutal. Que o Natal lhes dê esperança, como aos inúmeros desalojados, deslocados e refugiados, crianças, adultos e idosos, da Região e do mundo inteiro; mude a indiferença em proximidade e a rejeição em acolhimento, para que todos aqueles que agora estão na provação possam receber a ajuda humanitária necessária para sobreviver à rigidez do inverno, retornar aos seus países e viver com dignidade. Que o Senhor abra os corações à confiança e dê a sua paz a todo o Médio Oriente, a começar pela Terra abençoada do seu nascimento, sustentando os esforços daqueles que estão ativamente empenhados no diálogo entre Israelitas e Palestinianos.
Jesus, Salvador do mundo, olhe para quantos sofrem na Ucrânia e conceda àquela amada terra a graça de superar as tensões, vencer o ódio e a violência e embocar um caminho novo de fraternidade e reconciliação.
Cristo Salvador dê paz à Nigéria, onde – mesmo nestas horas – mais sangue foi derramado e muitas pessoas se encontram injustamente subtraídas aos seus entes queridos e mantidas reféns ou massacradas. Invoco paz também para outras partes do continente africano. Penso de modo particular na Líbia, no Sudão do Sul, na República Centro-Africana e nas várias regiões da República Democrática do Congo; e peço a quantos têm responsabilidades políticas que se empenhem, através do diálogo, a superar os contrastes e construir uma convivência fraterna duradoura.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Ano Litúrgico

Com o Primeiro Domingo do Advento, tem início para nós um novo ano litúrgico. O Salmo 65, no seu versículo 12, que tomamos como título deste texto, ilustra bem como Deus, na sua graça, passa entre nós no círculo do ano litúrgico, coroando-o e coroando-nos com sua bênção nas diversas celebrações que nos colocam em contato com o mistério pascal de Cristo. Sendo assim, podemos em primeiro lugar compreender que “... o ano litúrgico não é uma ideia, mas uma pessoa, Jesus Cristo e o seu mistério realizado no tempo e que hoje a Igreja celebra sacramentalmente como ‘memória’, ‘presença’, ‘profecia’.”¹

O homem primitivo, mais do que o moderno, estava atento aos diversos ritmos do ano e, antes que Deus se revelasse na história, pela luz natural da razão, o homem percebia algo de divino nesses diversos ritmos do tempo. Assim, aos poucos, o homem foi sacralizando as diversas “passagens” de Deus durante o ano, no ritmo cíclico das estações.

Presença de Deus na história
Quando Deus se revela a Israel, esse ritmo não é rompido, mas é compreendido à luz da sua fé. Assim, o povo de Israel tinha também um ritmo cíclico de celebrações litúrgicas que se repetiam cada ano, tornando presente de forma cúltica as diversas passagens de Deus pela sua história. Contudo, Israel entendeu que essa repetição, apesar de ser cíclica, não era fechada e morta em si, mas aberta a futuras e novas intervenções de Deus na história. Israel entendeu também que essas repetições tornavam presente de forma misteriosa aqueles fatos que poderiam simplesmente ter ficado no passado. Os cristãos herdaram do povo judeu a celebrar de forma memorial as intervenções de Deus na história.

Páscoa de Cristo
O culto da Igreja surgiu para celebrar a Páscoa de Cristo. Os primeiros cristãos não possuíam um “ano litúrgico” propriamente dito. A vida dos primeiros cristãos tinha como centro a Páscoa, celebrada semanalmente no “domingo” e também anualmente no “Grande Domingo”. Depois outras celebrações vão sendo assimiladas e o mistério pascal de Cristo passa a ser celebrado não somente de forma “concentrada” na Páscoa, mas em cada uma de suas facetas (sem deixar de estar inteiro em cada uma delas) no decorrer do ano.