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segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Indulgências especiais para o “Ano de São José”

 

São concedidas algumas indulgências especiais para o “Ano de São José”, convocado pelo Papa Francisco de 8 de dezembro de 2020 a 8 de dezembro de 2021 para recordar o 150 aniversário da declaração de São José como padroeiro da Igreja universal. O regente da Penitenciaria Apostólica, D. Krzysztof Józef Nykiel, fala sobre isto nesta entrevista com “L’Osservatore Romano”.


Com que evento está relacionada a publicação deste decreto especial de indulgências por parte da Penitenciaria Apostólica? 

Como se sabe, na solenidade da Imaculada Conceição de Maria, celebra-se o 150º aniversário da promulgação do decreto da Sagrada Congregação dos Ritos Quaemadmodum Deus, pelo qual o Beato Pio IX, em 1870, declarou São José padroeiro da Igreja universal. Sabemos bem como, na época de Pio IX, a Igreja viu-se a viver um dos períodos mais atormentados da sua história. Lembro-me que foi a seguir à brecha da Porta Pia e do fim do poder temporal dos Pontífices. Neste contexto dramático, o Papa Mastai sentiu a necessidade de declarar solenemente o patrocínio de São José a todo o povo de Deus, daquele humilde carpinteiro de Nazaré, isto é, que tinha sido escolhido pelo próprio Deus para ser o guardião do seu Filho e esposo da Virgem Maria. Celebrar este aniversário com um ano especial de São José, como o Papa Francisco dispôs, é portanto recordar e invocar sempre de novo a proteção especial do esposo de Maria sobre toda a Igreja, hoje afligida, não menos do que então, por ataques materiais e feridas espirituais. Neste ano, cada crente possa fortalecer diariamente a sua vida de fé no pleno cumprimento da vontade de Deus. 


Concretamente, o que estabelece o decreto? 
O decreto da Penitenciaria Apostólica pretende especificar a forma como o dom da indulgência plenária é concedido aos fiéis por ocasião do Ano de São José, em virtude do que o próprio Papa Francisco estabeleceu. A Penitenciaria concede assim a indulgência plenária aos fiéis que, para além das condições habituais estabelecidas pela Igreja — confissão sacramental, comunhão eucarística e oração segundo as intenções do Santo Padre — praticam cinco obras particulares de piedade ou de caridade ligadas ao modelo representado pelo pai putativo de Jesus. 

As obras indulgentes consistem em abrir-se à vontade de Deus, dedicando tempo à meditação pessoal ou a participar num retiro espiritual, seguindo o exemplo de José, sempre pronto a aceitar a vontade de Deus; em tornar-se um instrumento de justiça e misericórdia do Pai através da realização das obras de misericórdia corporal e espiritual, como José, «homem justo» (Mt 1, 19); em renovar a comunhão com Deus dentro da própria família e entre noivos, através da recitação do Santo Rosário; em santificar a própria obra confiando-a à intercessão de São José ou orando por aqueles que estão privados de uma ocupação digna; em interceder pelos cristãos que sofrem formas de perseguição através da oração de ladainhas a São José ou outras fórmulas de oração próprias dos ritos das Igrejas Orientais. 



É tida em conta a situação no atual contexto pandêmico ligado à propagação da Covid-19? 

Certamente. Invocar o patrocínio de São José sobre a Igreja universal significa, antes de mais, elevar lhe súplicas para que interceda e faça cessar esta pandemia, que está a causar tanto sofrimento e dor em todo o mundo, quer em termos de vítimas e doentes, quer nas suas pesadas consequências sociais e econômicas. Além disso, no texto do decreto é feita uma menção especial àqueles que, devido às consequências do contágio, são incapazes de cumprir as condições para receber indulgências (os idosos, os doentes, os moribundos). Confiando na intercessão de São José, conforto dos doentes e padroeiro da boa morte, a indulgência estende-se a todos eles se, com espírito livre de qualquer pecado e com a intenção de cumprir as condições o mais depressa possível, recitarem um ato de piedade em honra do santo. 


Que atitudes pretende incentivar nos fiéis a concessão destas indulgências? 

O objetivo de qualquer concessão de indulgência é apoiar os fiéis na luta contra o pecado e as forças do mal, estimular a caridade fraterna, despertar a esperança de plena reconciliação com Deus Pai, fomentar o espírito de piedade e o fervor da caridade. 

Com efeito, através da realização de obras de penitência e caridade, todos têm a possibilidade de crescer no amor a Deus e aos irmãos. A indulgência nunca é uma espécie de automatismo desligado da vida cristã, mas é a própria vida cristã, expressão e ápice da mesma. A intenção da Igreja é precisamente levar os fiéis a uma intimidade cada vez maior com o seu Senhor. No caso particular representado pelo ano de São José, então, cada crente é convidado a olhar para a figura do carpinteiro de Nazaré a fim de aprofundar aqueles aspetos da relação com Deus que o exemplo de São José inspira de uma forma particular. A figura do santo não passou de moda e é de fato muito atual no nosso tempo, como foi recordado, entre outros, por São João Paulo II e, por fim, pelo Papa Francisco. 


Porque quiseram confiar, tanto o Beato Pio IX como o Papa Francisco, o caminho da Igreja à proteção de São José? 

Na realidade, eu diria que a devoção a São José não é apenas uma características destes dois Pontífices, mas é como um rio cársico que percorre todos os séculos da história da Igreja reemergindo de tempos a tempos com particular evidência. Para citar apenas um exemplo relativamente próximo, recordo que São João XXIII declarou São José padroeiro do Concílio Ecumênico Vaticano II e queria que o seu nome fosse explicitamente incluído no cânone da Missa. O fato é que aquele que foi o pai putativo de Jesus pode e deve também considerar-se o “pai putativo” de todos nós cristãos, em todas as circunstâncias da nossa vida. A este respeito, permito-me citar uma passagem da vida escrita por Santa Teresa de Jesus, doutora da Igreja e grande devota de São José: «Escolhi o glorioso São José como intercessor e senhor e recomendei-me a ele (...). Não me lembro até hoje de lhe ter pedido nada que ele não me tivesse concedido. Maravilho-me com as grandes graças que Deus me concedeu através deste santo abençoado, e com os perigos do corpo e da alma dos quais ele me libertou. Se o Senhor parece conceder graça a outros santos para ajudar numa necessidade particular, tenho experiência de que este glorioso santo socorre em todas. O Senhor quer que compreendamos que, tal como lhe foi submisso — sendo nomeado pai, poderia comandá-lo — assim no céu pode fazer o que quiser»

Fonte: 

https://media.vaticannews.va/media/osservatoreromano/pdf/por/2020/12/POR_2020_050_1512.pdf

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Novo Diretório para a Catequese: “É urgente uma conversão pastoral"

"É urgente realizar uma 'conversão pastoral' a fim de liberar a catequese de certos laços que a impedem de ser eficaz". Palavras de Dom Rino Fisichella na coletiva de apresentação nesta quinta-feira (25/06) do novo "Diretório para a Catequese”


“Na era digital, vinte anos podem ser comparados, sem exageros, a pelo menos meio século”. A observação é de Dom Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a promoção da Nova Evangelização, durante a apresentação nesta quinta-feira (25/06) na Sala de Imprensa da Santa Sé do novo "Diretório para a Catequese”.

Considerar o que está surgindo
O documento nasceu da necessidade de levar em consideração "com grande realismo o novo que está surgindo, com a tentativa de propor uma leitura que envolvesse a catequese". É por esta razão que o Diretório apresenta "não apenas os problemas inerentes à cultura digital, mas também sugere caminhos a serem tomados para que a catequese se torne uma proposta que encontre o interlocutor capaz de compreendê-la e ver sua adequação com seu próprio mundo". 

Recordar os Sínodos
“Viver cada vez mais a dimensão sinodal faz com que não esqueçamos os últimos Sínodos que a Igreja viveu", explicou Fisichella. O presidente do Dicastério mencionou em particular o Sínodo sobre a Nova Evangelização e transmissão da fé de 2012, com a consequente Exortação Apostólica do Papa Francisco Evangelii gaudium, e o 25º aniversário da publicação do Catecismo da Igreja Católica, que afeta diretamente a competência do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização.

Conversão pastoral
"A evangelização ocupa o primeiro lugar na vida da Igreja e no ensinamento diário do Papa Francisco", observou o prelado: “Portanto, a catequese deve estar intimamente ligada à obra de evangelização e não pode ser separada dela. Ela precisa assumir em si mesma as próprias características da evangelização, sem cair na tentação de se tornar um substituto para ela ou de querer impor à evangelização suas próprias premissas pedagógicas”. A partir disso podemos ver o primado do "primeiro anúncio" e o vínculo entre evangelização e catecumenato, "como experiência do perdão oferecido e da nova vida de comunhão com Deus". Segundo Fisichella, "é urgente realizar uma 'conversão pastoral' a fim de liberar a catequese de certos laços que a impedem de ser eficaz". O primeiro ponto pode ser identificado no esquema escolar, segundo o qual a catequese de Iniciação Cristã é vivida no paradigma da escola. O segundo é a mentalidade com a qual a catequese é feita a fim de receber um sacramento. Um terceiro é a instrumentalização do sacramento por causa da pastoral, desse modo os tempos do sacramento da Confirmação são estabelecidos pela estratégia pastoral de não perder o pequeno rebanho de jovens que não abandonaram a paróquia e não pelo significado que o sacramento possui em si mesmo na economia da vida cristã".

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Novo Diretório de Catequese é apresentado pelo Vaticano

O Novo Diretório de Catequese foi redigido pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização e será lançado no dia 25 de junho.


Novo Diretório de Catequese
Nesta quinta-feira, 25 de junho, às 11h30 (6h30 do Brasil), o Vaticano irá lançar o Novo Diretório de Catequese. O documento é redigido pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização (CPPNE).

Em comunicado, a sala de imprensa da Santa Sé informa que o documento é apresentado, em conferência de imprensa, pelo presidente do CPPNE, dom Rino Fisichella; pelo secretário do mesmo organismo, monsenhor Octavio Ruiz Arenas; e pelo delegado para a catequese do CPPNE, monsenhor Franz-Peter Tebartz-van Elst.

O Novo Diretório de Catequese vem sendo trabalhado há vários anos, de acordo com a explicação de dom Rino Fisichella.

“O novo documento para a catequese da Igreja dará atenção particular a muitas das temáticas da sociedade atual que se relacionam com setor da educação cristã, como a cultura digital, a formação de catequistas, a pastoral que é feita em tantos ambientes ou a catequese para pessoas portadoras de deficiência”, afirmou o prelado.

De acordo com o presidente do CPPNE, há necessidade de o novo documento do Catecismo refletir a dimensão da nova evangelização:

“Certamente ajudará a compreender que o grande esforço pastoral é aquele que deriva da formação. O novo diretório será estudado e concebido à luz, não da dimensão sacramental, mas da nova evangelização”.


Amadurecimento da fé
Desde janeiro de 2013, por decisão de Bento XVI, o setor da catequese, na Santa Sé, passou para a competência do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, saindo da esfera da Congregação para o Clero.

Sendo assim, na conferência que proferiu aos padres das dioceses portuguesas do sul, dom Rino Fisichella convidou a “sair do túnel, em que, ao longo de algumas décadas, a catequese foi pensada apenas em vista dos sacramentos” procurando “consentir o amadurecimento da fé em relação com as condições de vida do crente”.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Sínodo: o que é importante saber?

Entenda também com o Padre Fabio Siqueira, que explicou um pouco sobre o que é um Sínodo, e a sua importância. Veja também como a Igreja pede que seja a postura de um cristão católico.

Padre Fabio Siqueira - Rio de Janeiro

De 06 a 27 de outubro realizar-se-á em Roma a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica, que foi convocado pelo Papa Francisco no dia 15 de outubro de 2017, na Missa de canonização dos mártires de Uruaçú e Cunhaú. Muitos rumores e suspeitas têm sido levantados com relação ao Sínodo.
Em virtude disso, é importante esclarecer os fiéis para que entendam, em primeiro lugar, o que é o Sínodo e qual sua função; depois, o que o ensinamento da Igreja fala sobre as questões ecológicas; por último, esclarecer que o Sínodo da Amazônia de forma alguma representa quebra de unidade no que diz respeito à fé católica. Resolvemos fazer esse presente instrumento de esclarecimento em forma de perguntas e respostas, porque assim nos pareceu mais didático.

1) O que significa a palavra “sínodo”?

O termo “sínodo” deriva do grego “sýnodos”, que significa “reunião”. O termo é composto pelo prefixo “syn” (junto com/junto de/junto a) e pelo substantivo “hodós” (caminho). O verbo grego synodéo significa “fazer um caminho com alguém”.

2) O que é o “Sínodo dos Bispos”?

A Constituição Dogmática Lumen Gentium, no seu n. 22, apresenta o episcopado como um “Colégio” que tem à sua frente o sucessor de Pedro, o Papa. Assim procedendo, o documento deixou claro que cabe aos bispos, sempre em união com o Romano Pontífice, em virtude do múnus de ligar e desligar que também receberam, enquanto sucessores dos Apóstolos, participar ativamente nas decisões que afetam a vida eclesial.

Assim se exprime a Lumen Gentium em um trecho do n. 22:

“Enquanto composto de muitos, este Colégio exprime a variedade e a universalidade do Povo de Deus; e enquanto unido sob um Chefe, exprime a unidade do rebanho de Cristo. Nele, os Bispos, respeitando fielmente o primado e o principado de seu Chefe, gozam do poder próprio para o bem dos seus fiéis e mesmo para o bem de toda a Igreja, revigorando sempre o Espírito Santo sua estrutura orgânica e a sua concórdia.”

A constituição, de fato, deste Sínodo se deu em 15 de setembro de 1965, pelo Papa Paulo VI, através da Carta Apostólica sob a forma de Motu Proprio “Apostolica Sollicitudo”. Ali se define o que seja o Sínodo dos Bispos, de acordo com o pensamento dos padres conciliares expresso na Lumen Gentium. A função do sínodo é “consultiva” (edocendi et concilia dandi se afirma no original latino). Contudo, o Sínodo pode ter uma função deliberativa, sendo que esta precisa ser ratificada pelo Romano Pontífice.
O decreto Christus Dominus, sob o múnus pastoral dos bispos na Igreja, assim se exprime no seu n. 5 com relação ao Sínodo dos Bispos recém instituído: “Alguns Bispos das diversas regiões do mundo, escolhidos do modo e processo que o Romano Pontífice estabeleceu ou vier a estabelecer, colaboram mais eficazmente com o pastor supremo da Igreja formando um Conselho que recebe o nome de Sínodo Episcopal. Este Sínodo, agindo em nome de todo o Episcopado católico, mostra ao mesmo tempo que todos os Bispos em comunhão hierárquica participam da solicitude por toda a Igreja.”

3) Por que um Sínodo sobre a Amazônia

Em primeiro lugar, porque a Igreja se preocupa com todos os fiéis e, também, com os problemas do mundo em geral. Existem muitos cristãos na Amazônia que estão desassistidos: passam meses, senão anos, sem os sacramentos. Existe uma enorme escassez de clero naquela região. E, além disso, existem problemas sociais gravíssimos em todas áreas: educação, saúde, mobilidade etc. Um outro problema que assola a região amazônica é a questão ecológica.
A preocupação com a ecologia não é uma novidade do ministério do Papa Francisco. O apelo a que se cuide do planeta tem ecoado no Magistério dos últimos Papas. Aqui recordamos o ensinamento de Paulo VI; São João Paulo II; o Papa Emérito Bento XVI e, por último, o atual Pontífice, Francisco:

Papa Paulo VI (Carta Apostólica Octogesima Adveniens, 21 – 14/05/1971)

“À medida que o horizonte do homem assim se modifica, a partir das imagens que se selecionam para ele, uma outra transformação começa a fazer-se sentir, consequência tão dramática quanto inesperada da atividade humana. De um momento para outro, o homem toma consciência dela: por motivo da exploração inconsiderada da natureza, começa a correr o risco de destruí-la e de vir a ser, também ele, vítima dessa degradação. Não só já o ambiente material se torna uma ameaça permanente, poluições e lixo, novas doenças, poder destruidor absoluto; é mesmo o quadro humano que o homem não consegue dominar, criando assim, para o dia de amanhã, um ambiente global, que poderá tornar-se-lhe insuportável. Problema social de envergadura, este, que diz respeito à inteira família humana.”

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Vaticano divulga Instrumento de Trabalho para Sínodo sobre Família

      O secretário geral do Sínodo dos Bispos, cardeal Lorenzo Baldisseri (na foto acima), apresentou à imprensa, na quinta-feira, 26,  o Instrumentum laboris (instrumento de trabalho) que norteará as atividades da 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos. Convocada pelo papa Francisco, a Assembleia será realizada de 5 a 19 de outubro de 2014, com o tema “Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”.
            Disponibilizamos o Instrumentum laboris em nessa seção de download, nesta página.

Fonte: www.cnbb.org.br