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quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Mensagem do Papa para o 53º Dia Mundial da Paz 2020

MENSAGEM DO SANTO PADRE
FRANCISCO
PARA A CELEBRAÇÃO DO
DIA MUNDIAL DA PAZ
1º DE JANEIRO DE 2020

«A PAZ COMO CAMINHO DE ESPERANÇA:
DIÁLOGO, RECONCILIAÇÃO E CONVERSÃO ECOLÓGICA»

1. A paz, caminho de esperança face aos obstáculos e provações
A paz é um bem precioso, objeto da nossa esperança; por ela aspira toda a humanidade. Depor esperança na paz é um comportamento humano que alberga uma tal tensão existencial, que o momento presente, às vezes até custoso, «pode ser vivido e aceite, se levar a uma meta e se pudermos estar seguros dessa meta, se esta meta for tão grande que justifique a canseira do caminho»[1]. Assim, a esperança é a virtude que nos coloca a caminho, dá asas para continuar, mesmo quando os obstáculos parecem intransponíveis.
A nossa comunidade humana traz, na memória e na carne, os sinais das guerras e conflitos que têm vindo a suceder-se, com crescente capacidade destruidora, afetando especialmente os mais pobres e frágeis. Há nações inteiras que não conseguem libertar-se das cadeias de exploração e corrupção que alimentam ódios e violências. A muitos homens e mulheres, crianças e idosos, ainda hoje se nega a dignidade, a integridade física, a liberdade – incluindo a liberdade religiosa –, a solidariedade comunitária, a esperança no futuro. Inúmeras vítimas inocentes carregam sobre si o tormento da humilhação e da exclusão, do luto e da injustiça, se não mesmo os traumas resultantes da opressão sistemática contra o seu povo e os seus entes queridos.
As terríveis provações dos conflitos civis e dos conflitos internacionais, agravadas muitas vezes por violências desalmadas, marcam prolongadamente o corpo e a alma da humanidade. Na realidade, toda a guerra se revela um fratricídio que destrói o próprio projeto de fraternidade, inscrito na vocação da família humana.
Sabemos que, muitas vezes, a guerra começa pelo facto de não se suportar a diversidade do outro, que fomenta o desejo de posse e a vontade de domínio. Nasce, no coração do homem, a partir do egoísmo e do orgulho, do ódio que induz a destruir, a dar uma imagem negativa do outro, a excluí-lo e cancelá-lo. A guerra nutre-se com a perversão das relações, com as ambições hegemónicas, os abusos de poder, com o medo do outro e a diferença vista como obstáculo; e simultaneamente alimenta tudo isso.
Como fiz notar durante a recente viagem ao Japão, é paradoxal que «o nosso mundo viva a dicotomia perversa de querer defender e garantir a estabilidade e a paz com base numa falsa segurança sustentada por uma mentalidade de medo e desconfiança, que acaba por envenenar as relações entre os povos e impedir a possibilidade de qualquer diálogo. A paz e a estabilidade internacional são incompatíveis com qualquer tentativa de as construir sobre o medo de mútua destruição ou sobre uma ameaça de aniquilação total. São possíveis só a partir duma ética global de solidariedade e cooperação ao serviço dum futuro modelado pela interdependência e a corresponsabilidade na família humana inteira de hoje e de amanhã»[2].
Toda a situação de ameaça alimenta a desconfiança e a retirada para dentro da própria condição. Desconfiança e medo aumentam a fragilidade das relações e o risco de violência, num círculo vicioso que nunca poderá levar a uma relação de paz. Neste sentido, a própria dissuasão nuclear só pode criar uma segurança ilusória.
Por isso, não podemos pretender manter a estabilidade no mundo através do medo da aniquilação, num equilíbrio muito instável, pendente sobre o abismo nuclear e fechado dentro dos muros da indiferença, onde se tomam decisões socioeconómicas que abrem a estrada para os dramas do descarte do homem e da criação, em vez de nos guardarmos uns aos outros[3]. Então como construir um caminho de paz e mútuo reconhecimento? Como romper a lógica morbosa da ameaça e do medo? Como quebrar a dinâmica de desconfiança atualmente prevalecente?
Devemos procurar uma fraternidade real, baseada na origem comum de Deus e vivida no diálogo e na confiança mútua. O desejo de paz está profundamente inscrito no coração do homem e não devemos resignar-nos com nada de menos.

2. A paz, caminho de escuta baseado na memória, solidariedade e fraternidade
Os sobreviventes aos bombardeamentos atómicos de Hiroxima e Nagasáqui – denominados os hibakusha – contam-se entre aqueles que, hoje, mantêm viva a chama da consciência coletiva, testemunhando às sucessivas gerações o horror daquilo que aconteceu em agosto de 1945 e os sofrimentos indescritíveis que se seguiram até aos dias de hoje. Assim, o seu testemunho aviva e preserva a memória das vítimas, para que a consciência humana se torne cada vez mais forte contra toda a vontade de domínio e destruição. «Não podemos permitir que as atuais e as novas gerações percam a memória do que aconteceu, aquela memória que é garantia e estímulo para construir um futuro mais justo e fraterno»[4].
Como eles, há muitos, em todas as partes do mundo, que oferecem às gerações futuras o serviço imprescindível da memória, que deve ser preservada não apenas para evitar que se voltem a cometer os mesmos erros ou se reproponham os esquemas ilusórios do passado, mas também para que a memória, fruto da experiência, constitua a raiz e sugira a vereda para as opções de paz presentes e futuras.
Mais ainda, a memória é o horizonte da esperança: muitas vezes, na escuridão das guerras e dos conflitos, a lembrança mesmo dum pequeno gesto de solidariedade recebida pode inspirar opções corajosas e até heroicas, pode colocar em movimento novas energias e reacender nova esperança nos indivíduos e nas comunidades.
Abrir e traçar um caminho de paz é um desafio muito complexo, pois os interesses em jogo, nas relações entre pessoas, comunidades e nações, são múltiplos e contraditórios. É preciso, antes de mais nada, fazer apelo à consciência moral e à vontade pessoal e política. Com efeito, a paz alcança-se no mais fundo do coração humano, e a vontade política deve ser incessantemente revigorada para abrir novos processos que reconciliem e unam pessoas e comunidades.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

D. Orani celebra Missa pela Paz no Rio e no mundo

A Coordenação Arquidiocesana de Pastoral e o Vicariato para a Caridade Social, a pedido do Arcebispo da Arquidiocese, Cardeal Orani João Tempesta, convidam todos os cidadãos e fiéis da cidade do Rio de Janeiro para participarem da Celebração Eucarística pela paz no Rio e no mundo.
A Santa Missa será presidida por Dom Orani no próximo sábado, 4 de junho, às 8h55, na Igreja Santa Margarida Maria, que fica localizada na Rua Frei Solano, 23, na Lagoa.
Mais informações pelo telefone: (21) 2292-3132, ramais 511, 580 e 332.

Leia a carta convite da Missa pela Paz:


Fonte: http://arqrio.org/noticias/detalhes/4436/cardeal-tempesta-celebra-missa-pela-paz-no-rio-e-no-mundo

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Dai ao nosso tempo a vossa paz

Pe. Vitor Gino Finelon
Professor das Escolas de Fé Mater Ecclesiae e Luz e Vida

A Igreja se reúne, esta semana, para celebrar o segundo domingo do Tempo Comum. O presbítero, então, em nome da assembleia, dirige ao Pai, por intermédio de Cristo, na potência do Espírito Santo, a seguinte oração: “Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a Terra, escutai com bondade as preces do vosso povo e dai ao nosso tempo a vossa paz”. Nessa oração se faz duas petições: “escutai com bondade as preces do vosso povo” e “dai ao nosso tempo a vossa paz”. A paz, dom de Deus e encargo do homem, é uma das necessidades mais urgentes de nosso tempo, marcado com tantas formas de violência e de guerra.
A comunidade eclesial tem a tarefa constante de interceder pela paz no mundo e de realizá-la entre os povos. Tal encargo nasce da sua natureza de Corpo Místico do Senhor, como prolongamento da paz trazida e ofertada por Cristo: “eu vos disse tais coisas para terdes paz em mim. No mundo tereis tribulações, mas tende coragem: eu venci o mundo!” (Jo 16,35). O Papa Francisco tem insistido muito na necessidade da Igreja se tornar um instrumento de paz entre os homens. Ele escreveu sua mensagem para o 49º Dia Mundial da Paz, no primeiro dia do ano. O texto dessa mensagem versa sobre a necessidade de se fomentar a cultura da misericórdia e da solidariedade, a fim de se conquistar relações mais pacíficas para o mundo.
O ponto nevrálgico para a conquista da paz, segundo o Pontífice, está na superação da “globalização da indiferença”. O comportamento humano de indiferença se manifesta em três níveis: com Deus, com o próximo e com a criação. A indiferença em relação a Deus se caracteriza por uma atitude de autossuficiência, fruto de uma concepção materialista, niilista e relativista. Em relação às pessoas, a indiferença se apresenta como um fechamento do coração e dos olhos, desinteressando-se dos outros e esquivando-se dos problemas sociais. Com a natureza, ela ocorre com a omissão diante de tantos problemas graves na casa comum. De todos esses três níveis, a indiferença em relação a Deus é a mais grave, pois gera no coração do homem um vazio existencial e uma reduzida compreensão de sua identidade, das suas relações e da sua pertença ao cosmos.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz 2016

Na mensagem para o Dia Mundial da Paz 2016, Papa destaca a indiferença como ameaça à paz e convida a manter esperança mesmo em meio a conflitos.

A mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz 2016 foi divulgada pelo Vaticano nesta terça-feira, 15, em coletiva de imprensa. No texto que tem como tema “Vence a indiferença e conquista a paz” Francisco convida a promover uma cultura de solidariedade e misericórdia para vencer a indiferença que ameaça a paz.
A mensagem do Papa é dividida em sete partes: “proteger as razões da esperança”, “algumas formas de indiferença”, “a paz ameaçada pela indiferença globalizada”, “da indiferença à misericórdia: a conversão do coração”, “promover uma cultura de solidariedade e misericórdia para vencer a indiferença”, “a paz: fruto de uma cultura de solidariedade, misericórdia e compaixão” e, por fim, “a paz no sinal do Jubileu da Misericórdia”.


Um tema que perpassa toda a mensagem é a indiferença, que ameaça a paz. Mas não só isso. Francisco também fala do desejo e do empenho da humanidade para conquistar a paz. Para 2016, o Papa pede que seja mantida essa esperança, mesmo que 2015 tenha sido um ano marcado por guerras e conflitos terroristas, com graves consequências para a população.
Segundo o Papa, a primeira forma de indiferença é aquela para com Deus, e dela derivam a indiferença para com o próximo e com a criação. Aos poucos essa atitude vai gerando inércia e apatia, alimentando situações de injustiça e desequilíbrio social, que podem levar a outros conflitos.
Além de abordar as várias formas de indiferença, a mensagem do Papa também fala sobre como vencer essa indiferença, destacando, por exemplo, o papel das famílias e dos meios de comunicação.
No contexto do Ano da Misericórdia, iniciado no último dia 8, o Papa conclui a mensagem com o apelo para que cada um adote um empenho concreto a fim de contribuir para melhorar a realidade em que vive, a partir da própria família, da vizinhança e do ambiente de trabalho.
As reflexões para o Dia Mundial da Paz 2016 estão em harmonia com outras mensagens do pontificado de Francisco, conforme pontuou na coletiva de imprensa a sub-secretária do Pontifício Conselho para a Justiça e a Paz, Flamínia Giovanelli. Como exemplo, ela citou a clara ligação com a mensagem de 2015, em que o Papa falou do fenômeno da escravidão.
Outro laço é com a encíclica “Laudato si“, em que Francisco pontuou que a ruptura entre o homem e a criação é devida à indiferença. Por fim, ligação com a mensagem para a Quaresma de 2015, quando o Papa questionou sobre o modo egoísta de viver alimentado pela vida cômoda que se esquece do outro.

Fonte: http://papa.cancaonova.com/publicada-mensagem-do-papa-para-o-dia-mundial-da-paz-2016/