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terça-feira, 27 de setembro de 2016

Jubileu dos Catequistas

D. Orani João Tempesta
Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro

Com a missa solene do “Rio Celebra” no sábado, dia 24 de setembro de 2016, no Santuário Arquidiocesano da Divina Misericórdia, na Vila Valqueire, celebramos o Jubileu dos Catequistas. Estamos em união com o Papa Francisco, que neste final de semana também acolhe em Roma os catequistas do mundo inteiro para o Jubileu da Misericórdia. Aqui foi uma festa bonita, primeiramente de ação de graças pelo ministério de transmissores e educadores da fé de nossos catequistas, que levam os catecúmenos ao encontro com o Cristo, e nossos jovens e adolescentes a amadurecerem na sua fé e no discipulado de Nosso Senhor Jesus Cristo.  
Ensina o Concílio Ecumênico Vaticano II que: “A pregação apostólica, que se exprime de modo especial nos livros inspirados, devia conservar-se, por uma sucessão contínua, até a consumação dos tempos. Por isso, os Apóstolos, transmitindo o que eles mesmos receberam, advertem os fiéis a que observem as tradições que tinham apreendido, quer por palavras quer por escrito, e a que lutem pela fé recebida duma vez para sempre. Ora, o que foi transmitido pelos Apóstolos abrange tudo quanto contribui para a vida santa do Povo de Deus e para o aumento de sua fé. Assim, a Igreja, em sua doutrina, vida e culto, perpetua e transmite a todas as gerações tudo aquilo que ela é e tudo quanto acredita. Esta tradição apostólica progride na Igreja sob a assistência do Espírito Santo” (Dei Verbum, 8).
O Cardeal Jorge Mário Bergoglio, então Arcebispo de Buenos Aires, em agosto de 2004 endereçou a todos os catequistas de sua Arquidiocese uma carta na qual ele pedia “Audácia e fervor”, “que é obra do Espírito Santo e que nos leva a anunciar, a gritar a Jesus Cristo com toda a nossa vida. É necessária muita audácia e valentia para seguir caminhando hoje, em meio a tanta perplexidade”. (Cf. Anunciar o Evangelho – Mensagens aos catequistas, Jorge Mário Bergoglio, Ecclesiae, 2013, pág. 38). “O fervor apostólico nos ajudará a ter memória, a não renunciar à liberdade, a caminhar como povo da Aliança: ‘Guarda-te de não se esquecer do Senhor que te tirou do Egito, da casa da servidão’. Como os catequistas de tempos difíceis devem pedir a Deus a audácia e o fervor que lhes permita ajudar a recordar! ‘Guarda-te, pois, a ti mesmo: cuida de nunca esquecer o que viste com teus olhos...’ Na memória transmitida e celebrada encontraremos como povo a força necessária para não cair no medo que paralisa e angustia”. (Cf. obra citada, págs. 39-40).

Papa no Jubileu dos Catequistas: O cristão é chamado a fazer a história

Na manhã do dia 25 de setembro, o Papa Francisco celebrou o Jubileu dos Catequistas com uma Missa na Praça de São Pedro, na qual disse aos catequistas do mundo inteiro que “quem vive para si mesmo não faz a história”.
Francisco disse durante a sua homilia que Paulo "recomenda que o nosso olhar se mantenha fixo no que é essencial para a fé, não nos recomenda uma multidão de pontos e aspectos, mas sublinha o centro da fé. Este centro em torno do qual tudo gira e este coração pulsante que dá vida a tudo é o anúncio pascal, o primeiro anúncio: O Senhor Jesus ressuscitou, o Senhor Jesus nos ama e deu a vida por nós. Ressuscitado e vivo, está ao nosso lado e se interessa por nós todos os dias”.
O Santo Padre diz também que neste Jubileu dos Catequistas, “é pedido para não se cansar de colocar em primeiro lugar o anúncio principal da fé: o Senhor ressuscitou”.
“Não existem conteúdos mais importantes, nada é mais firme e atual. Todo conteúdo da fé torna-se perfeito se estiver ligado a este centro, se for permeado pelo anúncio pascal. Se ficar isolado perde sentido e força".
“Anuncia-se Deus, encontrando as pessoas, com atenção à sua história e ao seu caminho. Porque o Senhor não é uma ideia, mas uma Pessoa viva: a sua mensagem se comunica através do testemunho simples e verdadeiro, da escuta e acolhimento, da alegria que se irradia. Não se fala bem de Jesus, quando nos mostramos tristes; nem se transmite a beleza de Deus limitando-nos a fazer sermões bonitos. O Deus da esperança se anuncia vivendo no dia a dia o Evangelho da caridade, sem medo de testemunhar inclusive com novas formas de anúncio”.
Ao falar acerca da parábola evangélica do homem rico, o Papa disse que "nos ajuda a compreender o que significa o amor, especialmente para evitar alguns perigos”.


“Na realidade, este rico não faz mal a ninguém, não se diz que é mau; e todavia tem uma enfermidade pior que a de Lázaro, apesar de este estar coberto de chagas. Este rico sofre duma forte cegueira, porque não consegue olhar para além do seu mundo, feito de banquetes e roupas finas”.
“Não vê além da porta de sua casa, onde jazia Lázaro, porque não se importa com o que acontece fora. Não vê, porque não sente com o coração. No seu coração, entrou a mundanidade que anestesia a alma”.
Em seguida, o Papa sublinhou: “A mundanidade é como um buraco negro que engole o bem, que apaga o amor, que absorve tudo no próprio eu”.
“Quem sofre desta grave cegueira, assume muitas vezes comportamentos ‘estrábicos’: olha com reverência as pessoas famosas, de alto nível, admiradas pelo mundo, e afasta o olhar dos inúmeros Lázaros de hoje, dos pobres e dos doentes, que são os prediletos do Senhor.”
Por outro lado, "na parábola, o homem rico não tem sequer um nome; a sua vida cai esquecida, porque quem vive para si mesmo não faz a história. A insensibilidade de hoje escava abismos intransponíveis para sempre”.
Francisco também disse: “Não sejamos profetas da desgraça, que se comprazem em lobrigar perigos ou desvios; não sejamos pessoas que vivem entrincheiradas nos seus ambientes, proferindo juízos amargos sobre a sociedade, sobre a Igreja, sobre tudo e todos, poluindo o mundo de negatividade. O ceticismo lamentoso não se coaduna a quem vive familiarizado com a Palavra de Deus”.
Pois “quem anuncia a esperança de Jesus é portador de alegria e vê longe, porque sabe olhar para além do mal e dos problemas”, concluiu o Pontífice.

Fonte: http://www.acidigital.com/noticias/papa-no-jubileu-dos-catequistas-o-cristao-e-chamado-a-fazer-a-historia-10512/