D.
Orani João Tempesta
Cardeal
Arcebispo do Rio de Janeiro
Com a missa solene do “Rio Celebra” no
sábado, dia 24 de setembro de 2016, no Santuário Arquidiocesano da Divina
Misericórdia, na Vila Valqueire, celebramos o Jubileu dos Catequistas. Estamos
em união com o Papa Francisco, que neste final de semana também acolhe em Roma
os catequistas do mundo inteiro para o Jubileu da Misericórdia. Aqui foi uma
festa bonita, primeiramente de ação de graças pelo ministério de transmissores
e educadores da fé de nossos catequistas, que levam os catecúmenos ao encontro
com o Cristo, e nossos jovens e adolescentes a amadurecerem na sua fé e no
discipulado de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Ensina o Concílio Ecumênico Vaticano II que:
“A pregação apostólica, que se exprime de modo especial nos livros inspirados,
devia conservar-se, por uma sucessão contínua, até a consumação dos tempos. Por
isso, os Apóstolos, transmitindo o que eles mesmos receberam, advertem os fiéis
a que observem as tradições que tinham apreendido, quer por palavras quer por
escrito, e a que lutem pela fé recebida duma vez para sempre. Ora, o que foi
transmitido pelos Apóstolos abrange tudo quanto contribui para a vida santa do
Povo de Deus e para o aumento de sua fé. Assim, a Igreja, em sua doutrina, vida
e culto, perpetua e transmite a todas as gerações tudo aquilo que ela é e tudo
quanto acredita. Esta tradição apostólica progride na Igreja sob a assistência
do Espírito Santo” (Dei Verbum, 8).
O Cardeal Jorge Mário Bergoglio, então
Arcebispo de Buenos Aires, em agosto de 2004 endereçou a todos os catequistas
de sua Arquidiocese uma carta na qual ele pedia “Audácia e fervor”, “que é obra
do Espírito Santo e que nos leva a anunciar, a gritar a Jesus Cristo com toda a
nossa vida. É necessária muita audácia e valentia para seguir caminhando hoje,
em meio a tanta perplexidade”. (Cf. Anunciar o Evangelho – Mensagens aos
catequistas, Jorge Mário Bergoglio, Ecclesiae, 2013, pág. 38). “O fervor
apostólico nos ajudará a ter memória, a não renunciar à liberdade, a caminhar
como povo da Aliança: ‘Guarda-te de não se esquecer do Senhor que te tirou do
Egito, da casa da servidão’. Como os catequistas de tempos difíceis devem pedir
a Deus a audácia e o fervor que lhes permita ajudar a recordar! ‘Guarda-te,
pois, a ti mesmo: cuida de nunca esquecer o que viste com teus olhos...’ Na
memória transmitida e celebrada encontraremos como povo a força necessária para
não cair no medo que paralisa e angustia”. (Cf. obra citada, págs. 39-40).

