Por D. Antonio Augusto Dias Duarte
Bispo
Auxiliar do Rio de Janeiro
Esse artigo, às vésperas da Semana
Nacional da Família [que já está acontecendo], gostaria que despertasse em
todos os queridos leitores uma reflexão e, posteriormente, uma posição diante
da beleza das suas famílias. Esse projeto de Deus desde toda a eternidade e
para todas as pessoas de boa vontade, entre as quais considero cada uma e cada
um de vocês que estão lendo esse artigo.
O
que é a beleza? Como a beleza reflete-se nas pessoas e nas coisas? Que
significa ser portadora de uma beleza que não pode faltar no mundo?
Queria
dizer-lhe que você será capaz de contemplar e de anunciar essa beleza familiar
desde que você não se detenha nesse ou naquele modelo familiar conhecido ou
divulgado pela mídia. Olhe, enxergue. Mire, veja a beleza dos gestos, das
atitudes, das palavras, dos momentos concretos que te comoveram, das horas
vividas juntos dos seus familiares, cada dia e cada época passada e presente.
A
sua família é bela! Há muitas famílias ao seu lado, com a beleza brilhando
entre quatro paredes! A beleza é sempre algo de divino presente nas circunstâncias
mais cotidianas da vida familiar. A beleza é a ‘impressão digital’ de Deus no
mundo, e só um observador atento e com olhar contemplativo, como acredito que
você é, será capaz de captar essas linhas divinas ‘digitalizadas’ da beleza diária
da sua família.
Para
te ajudar nesse sentido, cito o exemplo de uma jovem dos nosso tempos,
verdadeira ‘detetive’, especializada em ler as digitais de Deus na vida
cotidiana. Chiara Luce, beatificada em 2010, foi uma das intercessoras da JMJ
Rio2013. No dia 7 de outubro de 1990, faleceu em casa, no seu quarto, perto dos
seus pais, familiares e amigos.
Com
uma doença grave corroendo seu corpo jovem, essa menina tinha a percepção da
beleza divina presente até mesmo nas horas escuras da dor, da sua agudíssima
dor e dos sofrimentos visíveis dos seus pais.
Escreveu
ela, um dia, no seu diário íntimo: “cada momento é precioso e, portanto, não
deve ser desperdiçado (...) a dor não deve ser perdida, mas adquire sentido
tornando-se uma oferta para Ele”.
Para
sua mãe dá um conselho, a fim de que ela viva naquela hora da vida que pouca
gente deseja viver: a hora da visita ao cemitério para rezar diante do túmulo
da filha querida. Chiara dizia: “Quando for ao cemitério, olhe para o céu e verá
as estrelas. Procure-me numa estrelinha”.
Logicamente,
palavras desse quilate de ouro só podem sair da boca de uma pessoa que habituou
o seu olhar a ser contemplativa, a ver a beleza da vida desde Deus, e para
pessoas normais, todos os dias da vida são dias em família, são dias onde as ‘impressões
digitais’ de Deus estão visíveis.
Um
último exemplo de Chiara, bem significativo e muito sugestivo para você, leitor
amigo, viver nessa Semana e em toda sua vida. Alguns meses antes de ir
contemplar a Beleza de Deus no céu, que no seu mistério íntimo é uma família,
conforme nos ensinou o beato João Paulo II, Chiara copiou para uma amiga uns
versos de uma das suas poesias preferidas. “O mais belo dos mares é o que não
navegamos. A mais bela das crianças inda não cresceu. O mais belo dos dias
ainda não o vivemos. E as palavras mais belas que queria dizer-te ainda não te
disse”.
Quando
se quer tornar a família transmissora e uma educadora da fé cristã, não
deixemos nunca de mostrar esse caminho claro e luminoso da beleza da família.
