sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A beleza da família

            Por D. Antonio Augusto Dias Duarte
            Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro

Esse artigo, às vésperas da Semana Nacional da Família [que já está acontecendo], gostaria que despertasse em todos os queridos leitores uma reflexão e, posteriormente, uma posição diante da beleza das suas famílias. Esse projeto de Deus desde toda a eternidade e para todas as pessoas de boa vontade, entre as quais considero cada uma e cada um de vocês que estão lendo esse artigo.

            O que é a beleza? Como a beleza reflete-se nas pessoas e nas coisas? Que significa ser portadora de uma beleza que não pode faltar no mundo?
            Queria dizer-lhe que você será capaz de contemplar e de anunciar essa beleza familiar desde que você não se detenha nesse ou naquele modelo familiar conhecido ou divulgado pela mídia. Olhe, enxergue. Mire, veja a beleza dos gestos, das atitudes, das palavras, dos momentos concretos que te comoveram, das horas vividas juntos dos seus familiares, cada dia e cada época passada e presente.
            A sua família é bela! Há muitas famílias ao seu lado, com a beleza brilhando entre quatro paredes! A beleza é sempre algo de divino presente nas circunstâncias mais cotidianas da vida familiar. A beleza é a ‘impressão digital’ de Deus no mundo, e só um observador atento e com olhar contemplativo, como acredito que você é, será capaz de captar essas linhas divinas ‘digitalizadas’ da beleza diária da sua família.
            Para te ajudar nesse sentido, cito o exemplo de uma jovem dos nosso tempos, verdadeira ‘detetive’, especializada em ler as digitais de Deus na vida cotidiana. Chiara Luce, beatificada em 2010, foi uma das intercessoras da JMJ Rio2013. No dia 7 de outubro de 1990, faleceu em casa, no seu quarto, perto dos seus pais, familiares e amigos.
            Com uma doença grave corroendo seu corpo jovem, essa menina tinha a percepção da beleza divina presente até mesmo nas horas escuras da dor, da sua agudíssima dor e dos sofrimentos visíveis dos seus pais.
            Escreveu ela, um dia, no seu diário íntimo: “cada momento é precioso e, portanto, não deve ser desperdiçado (...) a dor não deve ser perdida, mas adquire sentido tornando-se uma oferta para Ele”.
            Para sua mãe dá um conselho, a fim de que ela viva naquela hora da vida que pouca gente deseja viver: a hora da visita ao cemitério para rezar diante do túmulo da filha querida. Chiara dizia: “Quando for ao cemitério, olhe para o céu e verá as estrelas. Procure-me numa estrelinha”.
            Logicamente, palavras desse quilate de ouro só podem sair da boca de uma pessoa que habituou o seu olhar a ser contemplativa, a ver a beleza da vida desde Deus, e para pessoas normais, todos os dias da vida são dias em família, são dias onde as ‘impressões digitais’ de Deus estão visíveis.
            Um último exemplo de Chiara, bem significativo e muito sugestivo para você, leitor amigo, viver nessa Semana e em toda sua vida. Alguns meses antes de ir contemplar a Beleza de Deus no céu, que no seu mistério íntimo é uma família, conforme nos ensinou o beato João Paulo II, Chiara copiou para uma amiga uns versos de uma das suas poesias preferidas. “O mais belo dos mares é o que não navegamos. A mais bela das crianças inda não cresceu. O mais belo dos dias ainda não o vivemos. E as palavras mais belas que queria dizer-te ainda não te disse”.
            Quando se quer tornar a família transmissora e uma educadora da fé cristã, não deixemos nunca de mostrar esse caminho claro e luminoso da beleza da família.