Retiro Arquidiocesano

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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

“Precisamos começar de novo”, disse Cardeal

Desde o dia 5 de outubro, quando começou no Vaticano, a 3ª Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, o Cardeal Orani João Tempesta, um dos representantes da Igreja no Brasil, tem enviado notícias das atividades dos padres sinodais.
Junto com as informações diárias, veiculadas nos meios de comunicação da arquidiocese, o povo de Deus no Rio de Janeiro tem visto e ouvido sua proximidade com saudações, bênçãos e apelos pelo êxito dos trabalhos.
“Continuem rezando nas intenções do Sínodo, para que possamos encontrar os melhores caminhos, de como promover uma evangelização dinâmica em beneficio da família”, pede o arcebispo.

Universalidade da Igreja
De acordo com Dom Orani, a primeira semana do Sínodo foi marcada por debates, tendo como foco as preposições do ‘Instrumento de Trabalho’, o que gerou muitas intervenções.
De várias formas, os participantes discutiram “Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”.
“Nos grupos de estudos, os bispos, padres, leigos, casais e viúvas puderam partilhar suas experiências, angústias, preocupações e vivências no Sínodo”, explicou.
Os padres sinodais ouviram depoimentos de casais, reflexões dos delegados fraternos, e o testemunho de representantes de diversas Igrejas presentes no mundo.
“São momentos importantes de partilha onde se tem uma visão geral da universalidade da Igreja. Ao mesmo tempo em que revela os desafios enfrentados pelas famílias nas regiões do mundo, também a forte presença da Igreja com a sua luta, com a procura de anunciar e viver o Evangelho”. 

Relatório dos debates
De acordo com Dom Orani, na segunda-feira, dia 13 de outubro, foi apresentado aos padres sinodais o ‘Relatório pós-congregações’, que reúne as principais reflexões debatidas no Vaticano durante a primeira semana e servirá como base para os documentos finais do Sínodo.
Entre os assuntos discutidos, a relação dos divorciados recasados e casais conviventes, o ‘importante desafio educativo’ sobre as uniões homossexuais, a contracepção e os métodos naturais, e os procedimentos de reconhecimento da nulidade matrimonial.
“Em meio a tantas discussões, a preocupação comum é a procura de encontrar soluções para os desafios da família hoje. Com muita clareza, a questão da formação ganhou destaque por sua importância. Não apenas um curso rápido, um itinerário de preparação, mas uma formação no sentido em que os envolvidos compreendam o valor do Sacramento do Matrimonio, da constituição da família, conforme o projeto de Deus”, disse.

Acolhimento e misericórdia
A fórmula pastoral ‘misericórdia aliada à doutrina’, que não significa decisões nem perspectivas fáceis, faz parte também das discussões.
O Relatório, explica o arcebispo, afirma que “é preciso acolher as pessoas com suas existências concretas, saber ajudar na busca, encorajar os desejos de Deus e a vontade de se sentir plenamente parte da Igreja inclusive de quem sofreu um fracasso na vida matrimonial”.
“Para as pessoas que sofreram algum tipo de separação, que estão em crise e buscam uma resposta para a situação, os padres sinodais são unânimes sobre a necessidade e a importância do acolhimento, para que todos sintam a proximidade da Igreja”, pontuou.

Provisório
As noticiais transmitidas por Dom Orani assegura a realidade e a veracidade dos trabalhos, afastando possíveis ‘polemicas’ exploradas pela mídia.
O relatório apresentado é provisório, apenas resume as intervenções. Os círculos menores se aprofundam nos temas para dar sugestões. No final, o relatório seguirá para o Santo Padre e por sua vez, as conferências episcopais do mundo.
“São passos que estão sendo dados e que muitas vezes são vinculadas como ideias definitivas, quando na realidade são temas em discussão”, explicou.
O texto servirá de base para ajudar e refletir sobre o Sínodo, a ser realizado de 4 a 25 de outubro de 2015, com o tema: “A missão da família na Igreja e no mundo”.
“O mundo inteiro está voltado para o Vaticano, vendo justamente a Igreja reunida em volta do Santo Padre para refletir, para pensar e ver a Igreja muito próxima das pessoas, das famílias, ao mesmo tempo preocupada em viver aquilo que o Senhor Jesus deixou para ela, de viver intensamente a sua vocação”, acrescentou.

Juventude
Dom Orani defende que a evangelização da juventude é fundamental para a constituição de famílias cristãs. Uma evangelização que deve começar ainda criança, alicerçada pela família e na Igreja, através da Iniciação cristã e de outros grupos pastorais.
De uma certa forma, explicou o arcebispo, as crianças e os jovens são preparadas para viverem a vocação de cristãos. Muitas pastorais e movimentos eclesiais fazem esse trabalho, um suporte para vida, para assumir compromissos.
“Os jovens que realmente assumem a vida cristã, que caminham em seus movimentos e pastorais, quando assumem a vida matrimonial, assumem com muita responsabilidade. Existem belos exemplos. Tenho visto vários exemplos na minha caminhada pastoral. Mas, sem dúvida, há muito que fazer”, sinalizou.
Por outro lado, continuou Dom Orani, a maioria dos jovens estão longe dessa realidade. A mudança de época é justamente uma preocupação do Sínodo sobre a família.
“A cultura cristã está deixando de ser plasmada na sociedade. A mudança de época não facilita, e sim impede as pessoas de se aproximar e de se preparar para o casamento. Se faz necessário, como lembra o Documento de Aparecida, ‘começar de novo’. Precisamos começar de novo. Este é o desafio: como começar de novo quando as pessoas estão longe da Igreja, longe de seus valores, do Evangelho”, pontuou Dom Orani.
Para o arcebispo, a mudança de época leva os jovens a não aceitar compromissos estáveis, para sempre. As questões econômicas, de trabalho e de estudo deixam as pessoas inseguras diante do futuro. Muitos não querem assumir responsabilidades, a constituição de família, de ter filhos.
“Os desafios da sociedade hoje determinam a opção por não se casar, por não ter filhos. Para quem tem fé, os problemas econômicos são superáveis, como no passado foram também para nossos pais e avós. Esse é um trabalho que precisa ser feito para que os cristãos superarem essa mentalidade”, concluiu Dom Orani.

Fonte: arqrio.org