Assembleias Vicariais

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Preparando a Festa de São Sebastião

D. Orani João Tempesta
Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro

São Sebastião foi um dos soldados romanos mártires e santos, cujo culto nasceu no século IV e que atingiu o seu auge nos séculos XIV e XV, tanto na Igreja Católica como na Igreja Ortodoxa. São Sebastião é celebrado no dia 20 de janeiro. Existe uma capela no Palatino, com uma pintura que mostra Irene tratando das feridas de Sebastião. Irene também foi canonizada, e sua festa é no dia 30 de março.
Convido para que nestes dias que antecedem a festa do nosso padroeiro, façamos, enquanto família-arquidiocesana, a trezena do nosso glorioso mártir. Iremos percorrer com a imagem peregrina de São Sebastião toda a nossa Arquidiocese, anunciando que o nosso padroeiro é testemunha da esperança e nos inspira para construirmos a paz em nossa cidade, que completa neste 2015 seus 450 anos.

São Sebastião, testemunho de fé. Ao iniciar os festejos deste glorioso Santo, coloquemo-nos diante dele como um exemplo vivíssimo de fé. Ele foi cristão nos tempos do Imperador Diocleciano, em Roma. Viveu em tempos de perseguição. Muitos foram presos, degredados e mortos em Roma por causa de Jesus Cristo. Naqueles tempos não era fácil ser cristão. São Sebastião era Capitão da Guarda do Imperador. Mesmo conhecendo melhor que todos o risco que iria correr, pediu para ser admitido como cristão. Passou pelo catecumenato, foi instruído sobre os compromissos de fé e recebeu, conscientemente, o Batismo. É uma inspiração para aprofundarmos e vivermos mais intensamente a fé nessa grande cidade.

São Sebastião, testemunho de caridade. Sebastião, feito cristão pelo batismo, começou a ser, em Roma, entre muitos coirmãos na fé, vivo testemunha de caridade. Dizem os historiadores que, como consequência das perseguições, os prisioneiros se tornavam pobres porque o governo sequestrava os seus bens. Sebastião deu-se ao intenso exercício da caridade, visitando os encarcerados e confortando-os, encorajando-os e ajudando os que foram atingidos pela pobreza. Muito antes, pois, de dar o testemunho do martírio, Sebastião dava perante todos o testemunho da caridade. Hoje em dia são muitas pessoas marginalizadas e desempregadas. Temos muito que aprender para ir ao encontro das periferias existenciais e encontrando-nos com o Cristo que vive nesta cidade na pessoa dos marginalizados.

São Sebastião, testemunho de fortaleza. São Sebastião, militar, de rígida têmpera, aprimorada formação, tinha caráter forte, varonil. Distinguia-se pela coragem e fortaleza de ânimo com que servia à autoridade imperial. Convertendo-se ao cristianismo e sendo batizado, o Espírito Santo transfigurou pela graça estes dons naturais que nele resplandeciam. E ele colocou a serviço do Reino de Deus sua alma varonil e destemida. Soldado do imperador, mudou-se em soldado de Cristo. Foi com a mesma coragem e fortaleza com que servia antes a seu senhor temporal, que Sebastião, depois, a ele resistiu, quando ameaçado de morte por causa das práticas e convicções religiosas. Como necessitamos ser fortes nestes tempos de tantas perseguições e mudanças culturais!

São Sebastião, padroeiro dos injustamente perseguidos. São Sebastião compartilhou da injusta perseguição que atingiu a Igreja em seus primórdios em Roma. Os decretos do Imperador, que mandavam reprimir as práticas cristãs, atingiram milhares, talvez milhões de pessoas. Foi uma época de grandes sofrimentos para muitos, na sua maioria humilde, pois exatamente os humildes e os pobres eram os que mais generosamente abraçavam o cristianismo. Era uma situação de grave injustiça, de vez que não podia haver nenhum crime em seguir ditames da própria consciência. São Sebastião, embora altamente situado, porque era Capitão da Guarda Imperial, foi também envolvido nas mesmas perseguições, exatamente por ser fiel à voz da consciência. Hoje, de diversas formas os cristãos de perto e de longe são perseguidos e rejeitados.

São Sebastião padroeiro contra a violência. O mártir São Sebastião não foi somente uma vítima da perseguição romana. E nem mesmo simplesmente mártir como milhares de outros cristãos. O suplício que sofreu se caracterizou por dupla violência brutal contra sua pessoa. Primeiramente, São Sebastião foi entregue aos algozes para ser morto a flechadas. Amarrado a um tronco de árvore, dispararam contra seu corpo numerosas flechas. Deixaram-no esvaindo-se em sangue, crentes que já estivesse morto. Uma senhora piedosa encontrou-o na floresta, levou-o para casa e ele se salvou. Na segunda vez, porém, foi aprisionado quando apareceu diante do imperador, em uma festa pública. E então o mataram a cacetadas, barbaramente, diante da multidão. Ele foi, assim, duplamente martirizado, e duplamente agredido de modo violento. A tenacidade e a coragem do nosso padroeiro fazem de nosso povo que habita nessa cidade um povo corajoso e que luta com coragem por tempos novos.

São Sebastião, padroeiro da agropecuária. Tradicional devoção entre os brasileiros considera São Sebastião padroeiro da agropecuária. Têm-no como o defensor dos campos e, principalmente, dos rebanhos. Não se sabe de onde veio essa tradição e o motivo dessa particular devoção dos nossos homens do campo. Seria, por ventura, por que São Sebastião sofreu o martírio numa floresta, amarrado a um tronco de árvore? Ou em alguma época, particularmente difícil para rebanhos, se alcançaram, por intercessão de São Sebastião, especiais graças e milagres de proteção aos bens do homem da roça? De qualquer modo que seja, muitos asseguram ter colocado sob a proteção deste Santo seus rebanhos e ter obtido, por essa forma, sua intercessão miraculosa.

São Sebastião, patrono dos militares. Nos tempos do Imperador Diocleciano, Sebastião alistou-se na milícia imperial. Jovem, robusto e de boas maneiras, ele uniu a estes dotes a coragem, a dedicação às armas e o amor à Pátria. Granjeou, assim, a estima e confiança de seus chefes e do próprio imperador. Em pouco tempo conquistou postos na milícia e, segundo reza a tradição, era Capitão da Guarda Imperial quando se fez Cristão, recebendo o Batismo. Pela sua condição de soldado e por seu amor e fidelidade à Pátria, ele é venerado como padroeiro dos Militares. Entretanto, o apreço pela carreira militar não o desviou dos deveres de cristão. Quando se preparou para o batismo ele aprendeu, como catecúmeno, que a vida cristã devia ser um compromisso com Cristo, tal qual a vida militar era um compromisso com a Pátria. Mas sabendo que o Imperador não era um Deus e que Jesus Cristo é o rei dos Reis, ele preferiu obedecer antes a esse Rei que ao Imperador romano. É o eco que sempre devemos ter em nossa vida: amar a Deus sobre todas as coisas!

São Sebastião, padroeiro contra pestes e epidemias. A piedade popular tem honrado São Sebastião como Padroeiro contra a fome, a peste e a guerra. Possivelmente porque, em alguma época da história, recorreram à sua intercessão diante do tormento de alguma guerra, com suas consequências mais aflitas: a fome e a peste que se alastrou, atingindo homens e animais. E porque a ajuda do Santo foi propícia nessa circunstância, passou-se a invocá-lo, em especial para que defendesse os animais atingidos ou expostos ao perigo da peste. Por todos os rincões do Brasil se implora a proteção deste santo para o gado e todos os animais, na esperança de que sejam livres da raiva e outras epidemias que os atingem. Que ele interceda por tantas epidemias que grassam hoje no coração das pessoas.
São Sebastião, modelo de cristão. São Sebastião, que veneramos em nossa Arquidiocese, foi, como todos nós, escolhido por Deus para a graça do batismo a serviço da Igreja. Ele teve uma vocação particular, a qual Deus o chamou, e desempenhou, na Igreja de Roma, um ministério de leigo. Recebeu de Deus carismas ou dons para testemunhar a fé, praticar a caridade e padecer o martírio.

Peçamos a Deus, por intercessão do glorioso São Sebastião, que nos ajude: “Senhor, neste tempo de preparação para a festa em honra ao glorioso mártir São Sebastião, nos vos pedimos o mesmo espírito que o fez tão forte, tão leal, tão dedicado. Infundi, Senhor, em todos nós os dons do Espírito Santo. Fazei-nos descobrir em nós os carismas que nos destes, para colocá-los a serviço de nossa comunidade. Que o dom da Esperança nos faça testemunhas da construção da Paz em nossa grande cidade. Enfim, Senhor, dai-nos, pela intercessão de São Sebastião, sermos perseverantes no cumprimento de nossos deveres cristãos até a morte. Por Cristo nosso senhor, na unidade do Espírito Santo. Amém”!