Retiro Arquidiocesano da Iniciação Cristã

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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Procissão de Corpus Christi reúne milhares de fiéis no Centro

A tradicional procissão de Corpus Christi pelas ruas do Rio de Janeiro, no dia 26 de maio, foi formada pelo clero, seminaristas, religiosos, e milhares de fiéis, juntamente às associações religiosas Filhas de Maria, Legião de Maria, Congregados Marianos, Apostolado da Oração, irmandades, movimentos de juventude e de apostolado leigo, ligas católicas, ordens terceiras,  representações de  colégios, do Exército, Marinha e Aeronáutica.
O carro andor que levou o ostensório com Jesus Sacramentado foi o mesmo utilizado no 36º Congresso Eucarístico Internacional, realizado na cidade, em 1955. O arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta, levou o Santíssimo Sacramento por um novo itinerário até chegar na Catedral de São Sebastião.

Vésperas
Na tarde do dia de Corpus Christi, com a presença de Jesus Sacramentado consagrado pela manhã na Paróquia de Sant’Ana, Dom Orani celebrou a Oração das Vésperas na Igreja de Nossa Senhora da Candelária, no Centro. As Vésperas, assim como as Laudes, são os polos da oração diária. Quando celebradas no fim do dia, como feito em Corpus Christi, são uma forma de agradecer a Deus por tudo o que Ele oferece.
“A arquidiocese celebra as Vésperas na Candelária há vários anos antes da procissão de Corpus Christi. É um momento privilegiado de oração de toda a família arquidiocesana reunida com seu pastor”, explicou o pároco da Candelária, monsenhor Helio Pacheco. Após a oração, teve início a procissão até a Catedral.




Procissão
Devido a obras na Avenida Rio Branco onde foram instalados trilhos para a passagem do VLT (Veículos Leve sobre Trilhos), por onde a procissão costuma passar, o itinerário da procissão foi alterada. Desta vez, Jesus Sacramentado saiu da Praça Pio X, onde fica a Candelária, acompanhado pelos fiéis, e seguiu para a Rua Primeiro de Março, Rua da Assembleia, passou por um pequeno trecho da Avenida Rio Branco até entrar na Avenida Nilo Peçanha, depois seguiu pela Rua México, Avenida Almirante Barroso, Avenida República do Chile e chegou à Catedral.
O carro andor foi puxado por uma guarnição de marinheiros e acompanhado por uma guarda  de honra formada pelos Adoradores Noturnos, por lanceiros do Regimento de Polícia Montada da Polícia Militar e da Companhia Independente do Palácio Guanabara, em uniforme do Império, além de escoteiros e pela Guarda de São Sebastião.

Bênção eucarística e missa de encerramento
Ao final da procissão de Corpus Christi, na Catedral Metropolitana de São Sebastião, o arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta, concedeu a bênção eucarística aos presentes. Em seguida, o cardeal celebrou a missa de encerramento.
“Hoje é um dia Santo em que a Igreja, terminada as celebrações do tempo pascal, quer retomar algumas festividades e alguns sinais nessa caminhada pelo mundo. Retomamos todo esse mistério encontrado nas Escrituras e na história: a Eucaristia. E assim, renovamos a nossa abertura a esse mistério. Um Deus presente no meio de nós, alimento da misericórdia, e que ao nos alimentarmos também nós nos tornamos n’Ele sinais dessa misericórdia a para a sociedade e para o mundo de hoje”, disse Dom Orani em sua homilia.
“Não há dúvidas que a cada época – continuou o arcebispo -, essa festa tem o seu viés e nós sabemos que celebrar Corpus Christi hoje além de retomar e retornar às origens, também significa para nós uma necessidade de celebrarmos a Eucaristia e estar unidos no mesmo corpo e no mesmo sangue de Jesus Cristo. Nós sabemos como é grande esse mistério, ápice da nossa vida e centro da caminhada cristã”.
“Celebrar Corpus Christi é também um momento em que todos nós podemos enxergar Jesus Cristo como sinal de unidade, desejosos que a Eucaristia seja essa nossa unidade e assim vivermos em torno do Cristo que é nosso alimento, nossa vida, e por isso mesmo amarmos uns aos outros”, concluiu Dom Orani.

Gesto concreto
Neste Ano Santo da Misericórdia, o gesto concreto da celebração de Corpus Christi foi a coleta de alimentos não perecíveis durante a procissão. “É um costume que se tem, e que fica ainda mais importante nesse Ano da Misericórdia”, afirmou o coordenador arquidiocesano de pastoral, monsenhor Joel Portella Amado.
Os alimentos arrecadados serão doados, sob a responsabilidade da Cáritas e do Vicariato para a Caridade Social, para instituições de caridade por ordem prioritária de urgência.

Histórico
O coordenador da Comissão Arquidiocesana de Pastoral de Liturgia, cônego Antônio José de Moraes, explicou como surgiu a celebração de Corpus Christi. Segundo ele, a hóstia significa a vítima imolada, o Cristo. O que sobra da comunhão, a chamada reserva, fica no sacrário. O principal destino dessa “reserva” são pessoas que não puderam ir à missa participar da celebração eucarística devido a enfermidades ou a idade avançada.
A partir do nono século, começou-se a tirar o foco da celebração do acontecimento Pascal (salvador) e ver a celebração eucarística como forma de fundar a presença real de Jesus. As pessoas passaram então a rezar diante do Santíssimo até chegarem a tocar Jesus. A elevação da hóstia durante a consagração começou a surgir por causa do desejo afetivo e sentimental de ver Jesus na hóstia.
O Concílio Vaticano II retomou então a tradição da Igreja, e reconduziu o olhar cristão ao centro, que é a celebração da Eucaristia. Mas atualmente há todo um ritual chamado de culto da Sagrada Eucaristia fora da missa. Nesse ritual estão incluídas as Horas Santas e a celebração de Corpus Christi.
“Esse é um momento para aprofundar a celebração em termos de meditação e de oração, para se viver o que foi exaltado na celebração eucarística”, explicou cônego Antônio. A procissão de Corpus Christi teve início, então, por volta do ano de 1200, no século 13.

Fotos: Gustavo de Oliveira

Fonte: http://arqrio.org/noticias/detalhes/4428/procissao-de-corpus-christi-reune-milhares-de-fieis-no-centro