Retiro Arquidiocesano

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segunda-feira, 24 de abril de 2017

Novo livro para a Catequese Infantil

Foi lançada este mês a atualização do volume 1 do material didático da Catequese Infantil chamado “Anuncio uma Grande Alegria!”, que tem duas publicações: o “Livro do Catequizando”, com 112 páginas, e o “Livro do Catequista”, com 172. O volume 2 será lançado ano que vem. O novo material está totalmente repaginado. Conta com novos personagens e papel e tipografia diferentes da versão antiga. Foi resultado do trabalho em conjunto da Comissão da Iniciação Cristã.
A renovação dos livros da Catequese se tornou uma necessidade devido à implantação do processo catecumenal na arquidiocese. “Esse processo pede que façamos um trabalho de fundo mais querigmático, mais progressivo”, explicou a irmã Lúcia Imaculada, da Congregação de Nossa Senhora de Belém, responsável pela Comissão da Iniciação Cristã.
Ela explicou que o trabalho querigmático na Catequese é mais voltado ao incentivo à vivência da vida cristã como um todo e não apenas voltado à sacramentalização como era feito no livro anterior.
Desde os primeiros rascunhos das ilustrações dos livros, feitos pelo padre Renan Féres Ferreira, responsável pelo design gráfico e parte da diagramação até a revisão e publicação, foram quatro anos de trabalho em equipe, que passaram por dois anos de testes em aulas de catequese de cinco vicariatos. “Acreditamos que todo material, ainda mais o material catequético, que vai para um grupo tão diverso na arquidiocese, precisa ser construído. Houve muitos encontros da equipe redatora com os catequistas que fizeram a experimentação antes da publicação. Foi um trabalho primeiro testado, avaliado e questionado pelo grupo, para termos a certeza de que será útil para o catequizando. Porque, afinal, ele é o nosso público alvo”, pontuou a religiosa.
O livro é utilizado em toda a arquidiocese como forma de unificar o ensino e produzir unidade, conforme sempre pede o pastor da arquidiocese, Cardeal Orani João Tempesta. “Esse livro é uma grande surpresa porque inova. Eu percebi, durante o tempo de testes, que nós construímos a fé das crianças. E esse livro proporciona essa construção porque é um livro dialogado, querigmático, em que os conteúdos são dados aos poucos. Ele vai acompanhando o amadurecimento da criança”, afirmou a catequista Ana Lucia do Rosário Rodrigues, da Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, no Vicariato Santa Cruz, catequista há mais de 20 anos. Ela foi uma das que participaram da fase experimental do novo material.

TEOLOGIA NA CATEQUESE
A maior parte da redação dos textos foi feita pela catequista Bárbara Machado Fonte, com o apoio da irmã Lúcia. A revisão teológica foi feita pelo vice-diretor das Escolas de Fé Mater Ecclesiae, padre Fábio da Silveira Siqueira. “Os redatores, em sua maioria, são catequistas. Precisamos, portanto, do suporte teológico, litúrgico, bíblico, artístico. Precisamos disso tudo para transmitir melhor a mensagem”, explicou irmã Lúcia.
Padre Fábio contou que essa foi a primeira vez que participou do processo de criação de um livro de catequese, e recebeu com muita alegria o convite para fazer a revisão dos textos. “Não foi necessário fazer grandes alterações porque esses textos já chegaram muito bons. Fiz pequenos apontamentos para afinar algumas questões e deixar a interpretação da Escritura o mais correta possível, não dando margem a duplas interpretações”, pontuou.
Segundo ele, é uma grande responsabilidade produzir um material como esse, utilizado não só na arquidiocese como em dioceses próximas, e que sirva bem à finalidade à qual se propõe: ajudar no processo catecumenal seguindo as diretrizes do Concílio Vaticano II.
Padre Eufrázio Luiz Morais da Silva foi responsável pela Leitura Orante no “Livro dos Catequistas”, e contou que essa parte foi dedicada a ajudá-los na preparação dos encontros. “A Palavra de Deus sempre foi um instrumento pelo qual tive muito apreço e carinho. Foi um dos meus trabalhos de conclusão de curso no período do seminário. Lá eu trabalhei a Palavra de Deus na celebração litúrgica e na vida cristã. E colaborar para esse material com aquilo que eu fiz na teoria enquanto finalizava minha formação teológica é colocar em prática tudo aquilo que aprendi a serviço da arquidiocese e ajudando na Lectio Divina (difusão e estudo da Palavra de Deus)”, afirmou.
ESPAÇO FAMÍLIA
Uma das novidades dos novos livros é o Espaço Família. Esse espaço tem o objetivo de fazer com que a criança converse com os pais e/ou responsáveis sobre aquilo que aprendeu na lição do dia, de forma que estes sejam catequizados tanto quanto as crianças. “Esse é o retorno que estamos tendo nas paróquias que passaram pela fase de avaliação. Temos pais mais presentes no processo de formação das crianças. Com isso, percebem lacunas de evangelização em suas vidas e retornam à Igreja para completar esse processo de evangelização”, ressaltou padre Eufrázio.
Na proposta do novo material consta uma reunião de pais a cada unidade do livro. O momento, segundo a irmã Lúcia, visa proporcionar confraternização e integração entre pais, filhos e catequistas. “É muito comum as crianças abandonarem a Catequese por causa dos pais, e esse livro ajuda para que isso não aconteça”, pontuou a catequista Ana Lucia.
Segundo Edy Lucia Nascimento da Gama, da Paróquia São Thiago de Inhaúma, no Vicariato Suburbano, o livro foi lançado num momento importante de fortalecimento do diálogo nas famílias. “Foi justamente num momento em que as famílias precisam dessa força. E manter esse diálogo ativo é um grande desafio para o catequista”, disse ela, que também foi uma testadora.
DO TEXTO AO DESENHO
Padre Renan contou que o processo de criação da parte gráfica do livro foi bem mais amplo do que aparenta. Ele foi aluno da irmã Lúcia no seminário, e foi lá onde tudo começou: “Depois de muitas conversas, surgiu a ideia de eu ajudar com as ilustrações do novo livro. A proposta era seguir a ideia do catecumenato em uma dinâmica mais comunitária. Ou seja, o que acontece são encontros. Pensamos então em criar uma turminha”, disse.
Segundo ele, o objetivo nunca foi substituir o Ângelo – personagem principal e único do livro anterior –, mas apresentar essa nova proposta da Igreja de que há uma caminhada conjunta. Os cinco novos personagens compõem a “Turma do Redentor”. São eles: Sebastião, Ana, José (os três caracterizam o livro como arquidiocesano), Renata e Flecha.
A produção de fato começou há três anos, mas os desenhos foram iniciados há quatro: “Na concepção dos personagens, já tínhamos os nomes, mas não as formas. Começamos a estudar possibilidades. Os primeiros tinham olhos grandes e eram divertidos, mais voltados para o cômico, para o cartoon. Era um estilo de desenho que eu já tinha. O cachorrinho (Flecha) manteve um pouco dessas características. Resolvemos que não teria problema manter o cachorro assim porque ele é um alívio cômico e aparece poucas vezes. Mas demos outra forma ao restante dos personagens. Para isso, pesquisamos bastante sobre os desenhos que as crianças assistem”, contou.
Quando o projeto foi iniciado, ele entrou em uma faculdade de design gráfico para executar melhor o trabalho. Fez a monografia sobre o livro. Quando perguntado se tirou nota dez no trabalho, riu e respondeu que sim. “Os formadores ficaram impressionados porque dentro da área do design desenvolvemos muitas coisas: criação de personagem, diagramação, identidade visual, logotipo... Foi um trabalho bastante completo e um desafio grande. Teve muita lágrima, muitas noites viradas, mas ele está aí, finalizado”, afirmou.
CRIAÇÃO
O processo de criação das ilustrações foi todo feito em computador, com a ajuda do programa “Illustrator”, muito utilizado por designers.
Jesus e os apóstolos foram feitos em estilo mais parecido com o dos mangás, que são os desenhos que as crianças assistem muito na TV. São expressivos, com um tom divertido e na idade adulta, para marcar a diferença de idade, uma vez que Jesus era adulto e a turma do livro é composta por crianças. “Como estamos construindo uma experiência com Deus percebemos que era mais positivo manter os padrões tradicionais da Igreja, das pinturas, das obras de arte. Não quisemos gerar uma confusão na cabeça das crianças. Estamos construindo uma identidade”, pontuou o padre Renan.
Ele contou que para transformar os textos em desenhos buscava exemplos de situações que pudesse ilustrar. “No tema da Igreja em comunhão com a comunidade, usamos um time de futebol”, justificou o artista.
PAPEL E FONTE
O papel utilizado na impressão dos livros também foi alterado. Ao invés do brilhoso, agora é fosco, a fim de permitir que as crianças pintem e escrevam mais confortavelmente. “No livro anterior, percebemos dificuldades das crianças na hora de escrever na parte dos exercícios por causa do tipo do papel. Então melhoramos também esse aspecto”, explicou irmã Lúcia.
Para a escolha da tipografia ideal, a equipe fez uma busca aprofundada. Encontrou uma pesquisa de um grupo de ingleses, composto por designers e pedagogos, que estava desenvolvendo uma fonte experimental com crianças no período pós-alfabetização. Ele desenvolveu um tipo de letra que não causava dúvidas para a criança na hora da leitura. “Por exemplo, se pegarmos uma fonte como a Helvetica, o ‘L’ maiúsculo e o ‘i’ minúsculo são um tracinho exatamente igual. Isso causava confusão porque a criança ainda não tem arquivo de memória da palavra; ela lê letra por letra, sílaba por sílaba”, explicou padre Renan.
Nessa pesquisa, a equipe desenvolveu uma fonte chamada ‘Fabula’, que não é gratuita. A comissão conseguiu uma permissão para utilizar por ter explicado a finalidade do uso.
Thiago Delocco Couto Rodrigues, catequista da Paróquia São Judas Tadeu, no Vicariato Leopoldina, também foi um dos que testaram o material. Para ele, foi interessante a ambientação no livro, que tem muitas paisagens conhecidas pelas crianças cariocas, o que as ajuda a criarem identificação. “Outro grande ganho que temos com esse livro é o fato de ele ser voltado para as crianças na atualidade. Se analisarmos o período entre o lançamento do último livro e hoje, percebemos uma grande evolução tecnológica. E o fato de não ter um material tão atual, tornava as aulas um pouco desinteressantes para as crianças”, afirmou.
PERSONAGENS
Sebastião
Principal; inspirado em São Sebastião, carrega na roupa as cores do santo e as flechas, que são o símbolo da Arquidiocese do Rio.
Ana
Homenagem à Sant’Ana, co-padroeira do Rio.
José
Homenagem a São José, padroeiro universal da Igreja e do Seminário São José.
Renata
Costuma tomar a liderança quando os assuntos são relativos à fé. Renata significa renascida, batizada. Os outros personagens se colocam em situações complicadas, mas ela não. Geralmente é quem aparece com os balõezinhos explicando algum assunto.
Flecha
O cãozinho do Sebastião. Por isso se chama Flecha.
ONDE ENCONTRAR
Editora Nossa Senhora da Paz, Rua Visconde de Pirajá, 339 fundos, Ipanema - Telefone: 2521-7299
Sede da Mitra Arquidiocesana, Rua Benjamin Constant, 23, Glória, Telefone: 2292-3132
Padre Renan, Ana Lucia, Edy Lucia, irmã Lúcia, padre Eufrázio, padre Fábio e Thiago
Foto: Carlos Moioli
Fonte: http://arqrio.org/noticias/detalhes/5647/novo-livro-para-a-catequese-infantil