Retiro Arquidiocesano da Iniciação Cristã

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Encontrar Deus no coração da cidade

Francisco aponta leigos como ‘apóstolos dos bairros’
“Os leigos são chamados a viver um humilde protagonismo na Igreja e tornar-se fermento de vida cristã para toda a cidade”

“Encontrar Deus no coração da cidade – cenário de evangelização para o terceiro milênio” – foi o tema da 27ª Assembleia Plenária do Conselho Pontifício para os Leigos, realizado de 5 a 7 de fevereiro, no Vaticano.
Segundo a ONU, desde 2007 a população urbana superou a rural e em 2050 mais de 70% da população mundial viverá em centros urbanos. Trata-se de um fenômeno sem precedentes na história da humanidade.
Através da programação, os participantes discutiram este complexo e gigantesco processo com os olhos da fé. A cidade moderna e secularizada, com suas conquistas tecnológicas, tende a colocar Deus no banco de reservas, reduzindo a fé a um mero fato privado.
Os olhares dos participantes da assembleia foram dirigidos às numerosas periferias geográficas e existenciais que sacodem a Igreja e a impelem, hoje mais do que nunca, na direção de uma conversão missionária e pastoral para que se torne numa Igreja em saída, habitada por uma salutar inquietude por Deus e pelo homem.

Cidadãos responsáveis
Na abertura do encontro, que refletiu sobre a questão da urbanização, fenômeno que desperta um crescente interesse no magistério ordinário da Igreja, o presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, Cardeal Stanislaw Rylko, destacou sobre a utopia da cidade na visão do Papa Francisco.
“O projeto de Francisco para a cidade é o de transformar todos os cidadãos em uma aldeia. Habitantes de nossas megalópoles urbanas, eles são um conjunto orgânico de ‘cidadãos responsáveis’. Sujeitos coletivos capazes de gerar seus próprios processos históricos”, disse o cardeal. 

A sede de Deus dos pobres
O segundo dia caracterizou-se pela intervenção do arcebispo de Manila, Cardeal Luis Antonio Tagle, que falou sobre a sede de Deus que caracteriza os ‘desertos urbanos’, e ressaltou que esta é principalmente a busca de uma nova mediação da relação com Deus, buscando comunhão e pertença e a procura pela vida.
A partir da realidade das megalópoles asiáticas, lembrou das milhares de pessoas que passam fome de pertença, e que a Igreja é chamada a dar uma resposta. Destacou a importância de descobrir o valor da vida e da fé de cada um, reforçando que a partilha com os mais fracos é uma fonte de renovada vida cristã.
Também houve mesa-redonda sobre o tema “Dar uma alma à cidade: o sentido e o prazer de ser povo”. Houve discussão, sobre paróquia como comunidade de comunidades, e a questão de encontrar uma nova estética arquitetônica e artística na construção de novas igrejas.

Missão na cidade
No dia 7 de fevereiro, foi o momento dos testemunhos sobre “missão na cidade”, seguido de audiência com o Papa Francisco. Na parte da tarde, destaque para o relatório do secretário do dicastério, Dom Josef Clemens, fazendo um balanço e apresentando propostas para o futuro. Os trabalhos foram concluídos com a celebração eucarística, presidida pelo Cardeal Rylko.

Formação dos leigos
Na audiência que teve com os participantes da Assembleia plenária do Pontifício Conselho para os Leigos, o Papa Francisco exaltou os leigos a não terem medo de ir ao encontro dos homens da cidade, local de cidadãos e de não cidadãos, onde Deus continua presente.
“Deus continua a estar presente nas cidades frenéticas e distraídas”, disse o Papa. Elas são locais de grandes oportunidades e grandes riscos, “um terreno de apostolado mais fértil do que tantas vezes se imagina”.
“Deus não abandonou a cidade: Ele habita na cidade”, lembrou o Papa, porque “acompanha a procura sincera das pessoas e dos grupos para encontrar apoio e sentido às suas vidas”.
Nesse contexto, o Papa destacou a importância de “cuidar da formação dos leigos para que vejam a cidade com os olhos de Deus, capazes de propor o coração do Evangelho, a serem apóstolos dos bairros”.

Uma cidade de paz
“O trabalho da Igreja faz com que as pessoas que moram nas cidades se sintam fraternas, irmãs umas das outras, de tal maneira que esse povo, que é povo de Deus, possa transformar a cidade em uma cidade de paz”, disse o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, que participou pela primeira vez da Assembleia Plenária, como membro do dicastério, que começou a fazer parte logo após o anúncio de sua nomeação cardinalícia.
“É um grande desafio falar hoje a linguagem do homem moderno, que vive nas grandes cidades, e fazer com que as pessoas possam se encontrar com Jesus Cristo e com o outro também, de tal maneira que se caminhe em comunhão”, reforçou o cardeal.
Dom Orani falou que o projeto do Papa Francisco para as cidades tem muito a ver com o Rio de Janeiro, que tem sua própria realidade, onde a periferia está dentro da cidade.
“Sair do centro para as periferias significa ir ao encontro das pessoas, ao encontro de quem procura um sentido para a própria vida. Às vezes são questões fundamentais, da própria existência. O importante é a presença da Igreja em todos os ambientes, anunciando a boa nova do Evangelho, despertando a esperança na vida e na caminhada das pessoas”, reforçou.

Fonte: http://arqrio.org/noticias/detalhes/2989/encontrar-deus-no-coracao-da-cidade