segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Fechamento das Portas Santas da Misericórdia

Um dia após abrir a Porta Santa da Basílica de São Pedro, dia 9 de dezembro de 2015, no Vaticano, o Papa Francisco afirmou, em sua catequese, que um Ano Extraordinário da Misericórdia não era apenas bom para a Igreja. Para ele, a Igreja precisava deste momento. “O Jubileu é um tempo favorável para todos nós, para que contemplando a Divina Misericórdia, que supera todo limite humano e resplandece sobre a obscuridade do pecado, possamos nos tornar testemunhas mais confiantes e eficazes”, disse na ocasião.
Agora, quase um ano depois, as Portas Santas da Misericórdia começam a se fechar, uma a uma, até chegar a vez da Basílica de São Pedro, na Solenidade de Cristo Rei, dia 20 de novembro. O legado deste Jubileu Extraordinário poderá ser visto e percebido, uma vez que formou missionários da misericórdia. Durante o ano, os fiéis estiveram se purificando e alimentando-se do amor misericordioso de Deus para transmiti-lo aos outros.
Na Arquidiocese do Rio, as cerimônias de fechamento das portas ocorreram neste mês de novembro, nessa ordem: Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Santa Cruz, no dia 6; Catedral de São Sebastião, Santuário do Cristo Redentor e Paróquia Coração Eucarístico de Jesus, em Santíssimo, no dia 12; Santuário Mariano de Schoenstatt, Basílica Santuário Nossa Senhora da Penha e Santuário da Divina Misericórdia no dia 13.

PARÓQUIA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO
A celebração do fechamento da Porta Santa da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Santa Cruz, foi presidida pelo arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta, no dia 6 de novembro. Na ocasião, houve a ordenação diaconal de Alan Augusto Gomes Barroso.
O pároco, padre Jorge Bispo, contou que houve, ao longo do ano, além do aprofundamento do sentido do que é viver a misericórdia, momentos de formação sobre ao Ano Jubilar. “Muitas pessoas não estavam por dentro do que significava obra de misericórdia, por exemplo”, afirmou.
Cerca de 30 paróquias passaram pela Porta Santa, e os movimentos católicos se organizaram para fazerem suas peregrinações ao local durante a semana ou levaram um padre para celebrar uma missa no fim de semana.
“Durante o ano, motivamos a comunidade a trabalhar a questão da misericórdia, principalmente dentro do contexto pastoral: fazer visitas aos enfermos, aos cemitérios, entre outras coisas”, explicou ele, que percebeu, durante o ano, um crescimento na procura pelo Sacramento da Reconciliação e passagem pela Porta Santa.


CATEDRAL METROPOLITANA
Na Catedral Metropolitana de São Sebastião, no Centro, a proposta da Porta Santa foi acolhida com muito carinho e dedicação, segundo o pároco, monsenhor Joel Portella Amado. Em um mundo onde o perdão, a reconciliação e a valorização da pessoa humana se fazem necessários em qualquer situação, o pedido de misericórdia do Papa Francisco, cumpriu a missão de chegar aos corações dos fiéis.
Monsenhor Joel contou que foram muitas as peregrinações durante o Ano Santo da Misericórdia. Todos os dias a Catedral recebia peregrinos, alguns para se informar sobre o modo de peregrinar, outros que chegavam e faziam as orações conforme tinham preparado para passar pela Porta Santa.
“A Catedral não tem comunidade residente, as pessoas que frequentam são todas transeuntes, visitantes. Podem ser os turistas ou aqueles que estão de passagem pelo centro da cidade. Algumas vezes as pessoas voltavam, principalmente, nas missas dominicais para agradecer alguma graça de mudança de vida”, disse.
Entre os grupos peregrinos visitantes, os que se destacaram foram o do clero, dos consagrados e consagradas e da população em situação de rua. Segundo monsenhor Joel, a figura do peregrino individual também merece ser ressaltada. Para ele, as pessoas se deixaram levar pela mensagem do Ano Santo e pela Porta Santa, e se confessaram com mais profundidade.
“São grupos distintos, mas todos eles, ainda que tenham vivenciado a experiência de um modo diferente, marcaram bastante a vida da Catedral. Os grupos que chegavam sem ter agendado se juntavam a outros, acolhiam peregrinos individuais, faziam as orações, participavam da missa diária e, às vezes, solicitavam a presença de um dos padres”, explicou.
Dos quatro gestos concretos elaborados pela Arquidiocese do Rio para a prática da misericórdia, a Catedral hospedou dois: as Escolas de Perdão e Reconciliação (Espere) e a Mediação Comunitária de Conflitos. Na igreja aconteceram os primeiros cursos para formação dos agentes destas duas atividades e funciona o núcleo de mediação, recentemente inaugurado. As obras de misericórdia vividas foram as mais adequadas à comunidade; no campo material, estavam ligadas à fome e à doença; no campo das obras espirituais, à escuta, ao aconselhamento e à reconciliação.




SANTUÁRIO DO CRISTO REDENTOR
No Santuário do Cristo Redentor, o fechamento da Porta Santa foi no dia 12 de novembro. A celebração, presidida pelo Cardeal Orani João Tempesta, foi uma das mais bonitas, segundo o reitor, padre Omar Raposo, e contou com a presença de muitos fiéis. “Pela primeira vez na história, o Cristo Redentor alcança tal configuração, sendo santuário considerado pelo Cardeal Orani: uma configuração de Porta Santa. Dessa forma, percebemos ao longo do ano um aumento muito significativo do número de peregrinos que passaram pelo santuário”, disse o sacerdote.
Para padre Omar, as obras de misericórdia são testemunhos que devemos dar a partir da Igreja. No Santuário do Cristo Redentor, a atenção dada foi ao meio ambiente. Como o Cristo Redentor está inserido num ambiente de floresta urbana, o cuidado foi com a cultura da sustentabilidade. Ou seja, com a integração entre fé e meio ambiente.
Além do aumento do fluxo das peregrinações, a busca pelos sacramentos ganhou destaque. Pessoas se confessaram, passaram pela Porta Santa e, em estado de graça, receberam as indulgências indicadas pela Igreja. Através do Ano Santo, as pessoas buscaram mudanças. As mudanças de mentalidade e mudanças de vida foram o que mais chamou atenção no santuário.
“Quando pensamos em legado, pensamos naquilo que se torna herança, algo que vai ter continuidade e que vai se perpetuar na história. O sentido religioso do Cristo Redentor está plenamente resgatado. É um santuário católico, um lugar de peregrinação, e teve esse privilégio de ser também uma Porta Santa durante esse Ano Jubilar. Esse é o legado do nosso santuário”, afirmou padre Omar.


PARÓQUIA CORAÇÃO EUCARÍSTICO DE JESUS
O fechamento da Porta Santa na Paróquia Coração Eucarístico de Jesus, em Santíssimo, aconteceu no dia 12 de novembro. A missa, presidida pelo bispo emérito Dom Assis Lopes, foi uma das mais bonitas, assim como a de abertura da Porta Santa, segundo o pároco, padre Cláudio Antonio Soares.
Ao longo do Ano Santo, a igreja ficou disponível para peregrinações. Vinte e sete paróquias aproveitaram para fazer suas romarias e passar pela porta com o propósito de conversão. As adorações ao Santíssimo Sacramento aconteceram às quintas-feiras.
A presença de peregrinos e padres que celebraram, rezaram e refletiram na comunidade paroquial ficou marcada por serem dias muito intensos, segundo o pároco. Foram promovidos na paróquia alguns momentos de explicações para que as pessoas entendessem o que é o Ano Jubilar. Depois disso, os temas das obras da misericórdia eram aprofundados.
O Ano Santo foi uma proposta do Papa com o objetivo de gerar frutos e mudanças, e na paróquia não foi diferente: “Uma das mudanças que eu pude perceber foi o desejo do povo de se tornar misericordioso a partir da busca pelo Sacramento da Reconciliação. Houve uma procura muito grande, muito grande mesmo”, disse padre Cláudio.
Durante esse período, padre Cláudio pôde acompanhar testemunhos de pessoas que estavam afastadas da Igreja por mais de 20 anos e, através do Sacramento da Reconciliação, buscaram a vida santa nesse Ano Santo. Os próprios paroquianos, segundo ele, buscaram ser mais misericordiosos. “Acolheram os pecadores, os que se afastaram da Igreja, os que foram chegando pela primeira vez. Tudo por influência das obras da misericórdia”, explicou.
As obras de misericórdia na paróquia foram desenvolvidas por meio de arrecadações de alimentos para serem enviados às vítimas do furacão Matthew, no Haiti. Identificaram como mais apropriada a eles a obra Saciar a fome e a sede, estipulada para o mês de dezembro do ano passado. Mas não foi a única obra que fizeram. A Pastoral da Criança manteve uma campanha para arrecadar roupas, que atende à proposta de Vestir os despidos, determinada para julho deste ano. Também foi feito um trabalho para dar maior atenção e assistência aos cemitérios, com o objetivo de ajudar as famílias que sofrem diante da perda com amparo e uma palavra de consolo. A paróquia toda se mobilizou com esse projeto. 
“Como ‘igreja mãe’ do Vicariato Oeste nesse Ano Jubilar, devemos estar atentos e zelar por essa oportunidade única que nos foi dada, de verdadeira conversão e reconciliação com os valores transmitidos pela Igreja. Para mantermos essa unidade, devemos seguir o mesmo caminho de misericórdia de Deus: refletir um pouco mais sobre nossas vidas antes de atirar a primeira pedra. Devemos agir com caridade, ter atos de amor e de misericórdia com nossos irmãos”, disse o vigário episcopal do Vicariato Oeste, padre Felipe Lima.


SANTUÁRIO MARIANO DE SCHOENSTATT
Cerca de 2 mil pessoas participaram da celebração de fechamento da Porta Santa do Santuário Mariano de Schoenstatt, em Vargem Pequena. Mesmo sob chuva forte, o pequeno templo ficou lotado de fiéis no domingo, dia 13 de novembro, na missa presidida pelo arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta. A missa foi concelebrada pelo cônego Abílio Soares de Vasconcelos, da Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, em Botafogo, e contou com a presença do padre Ricardo Boguslaw Batkiewicz, da Paróquia São Sebastião, em Vargem Grande. Participaram pessoas da Arquidiocese do Rio, da Arquidiocese de Niterói e da Diocese de Petrópolis.
Durante o ano, o santuário recebeu milhares de peregrinos, entre brasileiros e estrangeiros, uma vez que o local é próximo ao Parque Olímpico da Barra da Tijuca, que recebeu algumas das modalidades dos Jogos Olímpicos deste ano. As peregrinações foram feitas muitas vezes a pé. O local recebeu cerca de cinco mil peregrinos, de acordo com a responsável pelo local, irmã Dioneia Lawand, assessora do movimento apostólico de Schoenstatt do Rio de Janeiro.
“Quando as paróquias peregrinavam aqui experimentávamos uma sensação que era uma verdadeira antecipação do céu”, contou ela.
Também durante este período do Ano Santo, as irmãs do santuário procuraram fazer um trabalho com as famílias locais baseado no tema “Minha família, uma casa da misericórdia”. O objetivo era fazer com que eles conquistassem as portas santas em suas próprias casas, inspirados pela proposta da Obra Internacional de Schoenstatt, através da Campanha da Mãe Peregrina, cujo objetivo é levar a imagem de Nossa Senhora aos lares e fazer deles também um santuário.
“Todos os que aqui vieram durante este ano partiram como missionários da misericórdia. E fizemos um trabalho de aprofundamento para que cada um continue vivendo e sendo portador dessa misericórdia, mesmo após o fechamento da Porta Santa”, explicou irmã Dioneia. “Desde o dia 13 está fechada a Porta Santa do Santuário de Schoenstatt, mas cada família foi convidada a ser essa porta aberta e missionária”, concluiu.


BASÍLICA SANTUÁRIO DA PENHA
Na mais recente basílica do Rio, o Santuário da Penha, o fechamento da Porta Santa aconteceu durante celebração eucarística presidida pelo bispo auxiliar Dom Luiz Henrique da Silva Brito no dia 13 de novembro.
“A grande celebração que tivemos esse ano foi ao receber o título de basílica. Esse título nos une ainda mais ao Santo Padre na responsabilidade de corresponder àquilo que o Papa pede e viver aquilo que nos ensinam nos documentos pontifícios”, pontuou o pároco, padre Thiago Sardinha.
Durante o ano, a Porta Santa recebeu peregrinações de paróquias do entorno. Os párocos foram com seus paroquianos muitas vezes a pé. “A celebração da Mater Ecclesiae, do Instituto Superior de Ciências Religiosas, no dia 22 de outubro, com a presença de Dom Karl Romer e da RedeVida de Televisão, foi, sem dúvida, muito bonita, mas tiveram outras tão bonitas quanto”, afirmou padre Thiago.
Ele contou que os paroquianos, a fim de ajudar as pessoas e promoverem o espírito solidário, fizeram uma campanha voltada à obra que fala sobre alimentar os famintos: um grupo de pessoas se uniu e foi ao mercado negociar a compra dos alimentos quase a preço de custo para revender pelo mesmo preço para as pessoas que fizessem doação. Dessa forma, o aumento da inflação teve menos impacto nessa proposta do Ano Santo.
A Pastoral Familiar também começou um trabalho de assistência às pessoas em situação de rua dos bairros de Olaria, Ramos, Bonsucesso e Leopoldina. Nesse, além de levarem a eles alimentos e roupas, os agentes de pastoral levam também apoio espiritual e a Palavra de Deus.
Esses foram alguns dos exemplos de como o santuário viveu e promoveu as obras de misericórdia junto à comunidade.
“Houve também histórias de conversão: um jovem, ao ver as bandeiras do santuário, se sentiu tocado em fazer uma visita. Quando ele se deparou com a Porta da Misericórdia com os dizeres, veio para a Igreja Católica. Pediu para receber o Sacramento do Batismo e todos os outros, pois queria praticar a misericórdia”, contou padre Thiago.


SANTUÁRIO DA DIVINA MISERICÓRDIA
Local dedicado a divulgar a devoção à Divina Misericórdia, o Santuário Arquidiocesano da Divina Misericórdia, em Vila Valqueire, teve mais de dez mil peregrinos passando por lá desde a abertura da Porta Santa.
A cerimônia de fechamento da porta, realizada no domingo, dia 13 de novembro, foi iniciada com o Terço da Misericórdia, às 15h, enquanto o Santíssimo Sacramento estava exposto. Em seguida, o padre Jan Sopicki, pároco do santuário, palestrou sobre a misericórdia de Deus. Houve também a apresentação do grupo Frutos de Medjugorje e missa celebrada pelo arcebispo do Rio, Cardeal Orani. A celebração foi concelebrada pelo padre Jan, além de diversos padres palotinos.
Padre Jan disse que durante o Ano Santo da Misericórdia a igreja esteve sempre cheia e muitos fiéis buscaram o Sacramento da Reconciliação. Segundo ele, os grupos de peregrinos que tiveram destaque foram o dos sacerdotes da arquidiocese, da escola diaconal, dos catequistas e dos coroinhas.
“Nossa obra de fato foi servir e acolher os peregrinos. Primeiro, nós fizemos reuniões no centro pastoral nas quais explicávamos o significado de passar pela Porta Santa; depois entrávamos cantando e rezando o Terço da Misericórdia”, contou.
A secretária do Movimento da Divina Misericórdia e paroquiana do santuário, Marita Maurício Conrado Veiga, revelou que ter uma Porta Santa na comunidade foi uma grande graça e um momento único para os paroquianos e para os peregrinos que fizeram essa experiência.
“Passei pela Porta Santa praticamente todos os dias pedindo indulgência para as pessoas falecidas, e também me confessei diversas vezes. Muitos não conheciam o santuário, e conhecê-lo não é apenas conhecer mais uma igreja, é conhecer um local dedicado a divulgar a misericórdia de Deus”, ressaltou.
Na última semana de peregrinações, o santuário realizou diversas palestras. Temas como a moral católica, família, aborto, drogas, teologia do corpo, ideologia de gênero e  misericórdia de Deus foram apresentados para os peregrinos.
“Logo após a cerimônia de fechamento com as orações próprias, as leituras e os cânticos, houve um momento de profundo silêncio e meditação. Algumas pessoas choraram emocionadas diante dessa experiência com a misericórdia de Deus”, completou Marita.


Fonte: http://arqrio.org/noticias/detalhes/5112/fechamento-das-portas-santas-da-misericordia