Assembleias Vicariais

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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Campanha para a Evangelização

Por D. Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro

Conforme a tradição que se solidificou no Brasil desde 1997, com o fim do ano litúrgico, e o consequente tempo do Advento, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) lança a Campanha para a Evangelização. O evento tem início na solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo em 24 de novembro e se estende até o 3º domingo do Advento. A Coleta Nacional será realizada neste ano em 15 de dezembro, nas paróquias e comunidades do Brasil. O objetivo é despertar nos fiéis o compromisso evangelizador e a responsabilidade pela sustentação das atividades pastorais da Igreja no Brasil. Esta Campanha tem o slogan “evangeli.já”, que faz referência à palavra evangelizar, e a urgência da evangelização. Somos convidados a nos integrar efetivamente nessa campanha, pois, "ai de mim se não evangelizar"(1Cor. 9,16).
Ela tem por finalidade e direcionamento a manutenção dos trabalhos de evangelização nos vários níveis: diocesano (45% do total arrecadado na diocese), regional (20%) e nacional (35%), sendo fundamental para a sustentabilidade das ações da Igreja no Brasil. Atende também as estruturas eclesiais que estão empenhadas no serviço da ação evangelizadora. São muitos projetos de evangelização que a cada ano chegam à sede de nossa Conferência Episcopal necessitando de financiamento. Para o pleno êxito dessa campanha todos são convidados a colaborarem materialmente, além da conscientização missionária própria do tema.

Neste ano de 2013 tem como lema: “Eu vos anuncio uma grande alegria” (Lc 2,10). Ela nos convida a anunciar a alegria de ser discípulo missionário de Jesus Cristo, participar da sua vida. Neste contexto precisamos mostrar ao mundo que “este povo, que jazia nas trevas, viu resplandecer uma grande luz; e surgiu uma aurora para os que jaziam na região sombria da morte” (Mt 4, 16). Urge mostrar a alegria que é conhecer e se relacionar com o Filho de Deus, que nos tira das trevas e da região sombria da morte para que todos tenham luz e vida plena. É o mesmo tema que o Papa Francisco escolheu para a sua recente Exortação Apostólica: “a alegria do Evangelho”.
Os profetas fizeram muito mais do que denunciar os crimes de Israel. Não basta denunciar erros, mesmo que superando o ético e o moral e mostrando a incidência do crime na história. É preciso ir mais além para ser profeta. É preciso mostrar a novidade, dar o exemplo, tomar a frente, motivar, ser propositivo. Este é um dos temas preferidos do Papa Francisco. Ser profeta significa ser capaz de ir além da superação do mal. A obra redentora de Jesus, o profeta por excelência, não se limita ao perdão dos pecados, mas vai além: inaugura o Reino de Deus na história humana.
A confiança que o povo de Israel tem em Deus faz com que a sua esperança seja fortalecida. É por isso que diz o salmista: “O olhar do Senhor vigia sobre quem o teme, sobre quem espera na sua graça, para livrá-lo da morte e nutri-lo no tempo da fome. Nossa alma espera pelo Senhor, é ele o nosso auxílio e o nosso coração e confiamos no seu nome. Senhor, esteja sobre nós a tua graça, do modo como em ti esperamos” (SL 32,18-22). Realmente é esta esperança, que é manifesta em relação às necessidades do dia a dia, que é ainda mais marcante quanto se fala dos tempos messiânicos. Um exemplo disso é a fala da Samaritana no poço de Jacó, conforme nos narra o apóstolo São João: “A mulher disse-lhe: ‘Eu sei que virá o Messias (isto é, o Cristo); quando ele vier, nos fará conhecer todas as coisas’” (Jo 4,25). João Batista também tem a mesma esperança: “Ora, João Batista, estando na prisão, ouviu falar das obras de Cristo e mandou alguns discípulos para lhe perguntar: És tu, aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?” (Mt 11,2-3)
Nosso Senhor Jesus é aquele que cumpre plena e totalmente as promessas feitas por Deus, de modo que ele é quem realiza as esperanças do povo da Antiga Aliança e é a verdadeira causa da alegria do povo. A chegada da plenitude dos tempos é o centro da história da humanidade e é o local histórico onde o divino se une ao humano, levando à plenitude a obra da criação.
Anunciar a boa nova aos pobres, esta é a missão de Jesus. Os efeitos deste anúncio são a cura dos contritos de coração, a redenção dos cativos, a visão aos cegos, o ano da graça do Senhor. Anunciar a boa nova, a boa notícia significa dizer algo que de fato muda a vida das pessoas pra melhor, produz efeitos bons na vida das pessoas. A vida de Jesus une a boa notícia como anúncio e como prática. Quem chega até ele tem a notícia do Reino de Deus e tem gestos concretos que provam a sua presença.
Ensina o Documento de Aparecida que: "Também O encontramos de um modo especial nos pobres, aflitos e enfermos (cf. Mt 25,37-40), que exigem nosso compromisso e nos dão testemunho de fé, paciência no sofrimento e constante luta para continuar vivendo. Quantas vezes os pobres e os que sofrem realmente nos evangelizam! No reconhecimento desta presença e proximidade e na defesa dos direitos dos excluídos encontra-se a fidelidade da Igreja a Jesus Cristo. O encontro com Jesus Cristo através dos pobres é uma dimensão constitutiva de nossa fé em Jesus Cristo. Da contemplação do rosto sofredor de Cristo neles e do encontro com Ele nos aflitos e marginalizados, cuja imensa dignidade Ele mesmo nos revela, surge nossa opção por eles. A mesma união a Jesus Cristo é a que nos faz amigos dos pobres e solidários com seu destino". (Documento de Aparecida 257). Segundo o Plano de Pastoral de nossa Arquidiocese, o próximo ano será o ano da caridade, olhada de maneira especial na questão social. A opção pelos jovens (que vivemos intensamente neste ano que está a findar) e pelos pobres está na ordem do dia para toda a Igreja.
Ninguém é evangelizador por acaso. Trabalhar na obra evangelizadora é participar da obra da salvação da humanidade, que não é uma obra humana, mas divina, de modo que ser evangelizador é, em primeiro lugar, graça, dom de Deus, chamado, vocação.
A Igreja faz muito com pouco! Mas tem sido muito pouco e, por isso, somos chamados a colaborar. A Campanha da Evangelização convida os católicos a assumirem a responsabilidade pela sustentação das obras evangelizadoras da Igreja. Evangelização tem ação no nome e doação também. Venha dividir um pouco do que é só seu para multiplicar o que podemos fazer por todos. Evangelização rima com doação, por isso a sua generosidade no dia 15 de dezembro e a sua doação evangelizam!